Financiamento coletivo busca apoio para musical com autistas

Criado em 2015, o projeto Uma Sintonia Diferente promove a inclusão social de crianças com necessidades especiais por meio da musicoterapia

Jacqueline Lisboa/Esp. MetrópolesJacqueline Lisboa/Esp. Metrópoles

atualizado 07/11/2019 13:54

O Instituto Steinkopf, responsável pelo projeto Uma Sintonia Diferente, promove financiamento coletivo para a realização dos espetáculos anuais do grupo. Criado em 2015 pela musicoterapeuta Ana Carolina Steinkopf, a iniciativa dedica-se a promoção da inclusão social de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Como parte do tratamento, que visa desenvolver as habilidades de comunicação e aprendizado de crianças e adolescentes, a instituição realiza musicais onde as estrelas no palco são os autistas atendidos pela ação.

Para ajudar Uma Sintonia Diferente, basta acessar o link da plataforma on-line. Os valores de apoio variam de R$ 20 a R$ 350 reais, com recompensas variadas. “Toda quantia nos ajudará muito”, diz a idealizadora, Ana Carolina Steinkopf, que atualmente mantém o projeto com as contribuições mensais dos pais dos atendidos, no valor de R$ 160 – além de doações anônimas.

Jacqueline Lisboa/Esp. Metrópoles
Crianças durante as atividades do Uma Sintonia Diferente
Inclusão pela música

As apresentações já têm data, horários e locais marcados: 23, 24 e 30 de novembro, e dia 1 de dezembro, no Complexo Cultural da Funarte (Eixo Monumental), com sessões às 17h e às 19h. O repertório eclético vai dos ícones da geração roqueira dos anos 1980, Legião Urbana, passando por sucessos da MPB como O Pato, de João Gilberto, e Águas de Março, de Tom Jobim. Tem espaço também para hits populares contemporâneos, como Brisa, da cantora Iza.

“Legião Urbana é um patrimônio de Brasília e é muito importante que as crianças tenham acesso e conhecimento sobre a cultura da cidade”, explica Ana Carolina. De acordo com ela, sair das tradicionais músicas infantis é uma maneira de romper padrões e inserir os autistas em um universo mais complexo de ritmos e letras. “Estimulamos a expressão vocal através do canto”, ressalta.

Formada em musicoterapia pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Ana Carolina começou a trabalhar com crianças autistas em 2013. Desde então, considera-se uma afortunada por poder trocar e aprender com os alunos. “Eu sou outra pessoa. Sou mais paciente, mais humana mesmo. Eles mudam muito a gente. Nós aprendemos a valorizar e celebrar as pequenas conquistas do dia a dia”, enfatiza a curitibana.

Convivência familiar

Pais da pequena Mariana, de 4 anos, o militar Sérgio Soares, 47, e a professora Rosileia Cardoso, 40, afirmam que é nítida a evolução da filha nesses últimos meses, desde que passou a integrar o projeto Uma Sintonia Diferente. “Ela era retraída, pouco sociável, agora passa os dias dançando e cantando”, garante a mãe.

A mesma sensação é compartilhada pelo engenheiro Leonardo Barros, 44, pai dos gêmeos Arthur e Heitor, de 6 anos. “Conhecemos o grupo pela internet há dois anos e desde então não saímos mais. Trazemos eles semanalmente e eles gostam muito, pedem para vir. Notamos uma melhora muita expressiva, principalmente na questão da interação social”, completa.

Soraia Almeida, 47, trouxe Gustavo, 14 anos — jovem com síndrome de Down e autismo — para o Sintonia Diferente em janeiro deste ano. Além da melhora comportamental do adolescente, a servidora celebra os momentos que passa ao lado dos demais pais, enquanto aguarda os ensaios do filho. “Conversamos muito, trocamos experiências, dificuldades, faz muito bem para nós também”, salienta.

Jacqueline Lisboa/Esp. Metrópoles

Veterana no projeto, Aline Neves, 39, conta que a atenção e atendimento de Ana Carolina a filha, Lorena Elisa, de 12, vai muito além do institucional. “Ela se envolve com cada criança, já passamos por situações difíceis em casa e ela estava ao nosso lado, dando todo apoio. O Sintonia mudou muito nossas vidas, e para nós, os pais, é motivo de orgulho ver nossos filhos no palco, sendo capazes de tudo como quaisquer outras crianças”, conclui.

Últimas notícias