Mostra reúne fotomontagens de Athos Bulcão
Um dos pais fundadores da arte brasiliense ganha pequena exposição em torno de uma fase peculiar e pouco conhecida de sua obra
atualizado
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Espécie de Andy Warhol da cultura brasiliense, Athos Bulcão a esta altura parece estar em todo lugar. Para muito além de seus tão queridos azulejos, sua arte empresta cor e movimento para roupas, louças, objetos vários. Toda sorte de memorabilia estimada por quem mora aqui ou por quem apenas está de passagem e quer levar um pouco de Brasília na bagagem.
A Fundação Athos Bulcão, nesse sentido, tem sido pródiga em manter presente o artista carioca-candango, senhor de múltiplas habilidades: pintura, escultura e desenho, para além da azulejaria. A pequena e simpática lojinha da 404 Sul, que volta e meia apresenta ali mesmo exposições, agora traz a mostra “Athos Bulcão em Preto e Branco”.
E o visitante assim pode dar uma espiada em todo um interesse de Athos Bulcão (1918-2008) que tem passado batido por resenhas e memórias. O interesse pela colagem. Ele se aproximou dessa técnica durante uma temporada de estudos artísticos em Paris, na primeira metade da década de 1950.
Ainda sob uma influência gigante do surrealismo, imerso em cenários fantásticos e/ou oníricos, Athos recorria a imagens de diversas procedências (como revistas e cartazes, publicidade e noticiário) para montar cenas que rompem com a perspectiva das belas artes e com as aparências do cotidiano. Uma vez satisfeito com o resultado de cada colagem, ele fotografava a obra – e são essas imagens últimas que aqui estão expostas.
Miró e Klee
Estão reunidas 26 dessas colagens. Entre elas, “Entardecer no Planalto” (1953, foto no alto). Percebe-se nela, e nas demais, um gesto inquieto, caótico. Uma estética violentamente distante do cartesianismo, do jogo de cores e da limpeza de formas que consagrariam o autor nos anos de construção da nova capital – e que hoje vêm à mente quando se pensa em Athos Bulcão.
Mas vale notar que, mesmo em sua obra mais madura, principalmente na pintura, Athos Bulcão volta e meia escapulia de seu notável design clean para estilhaçar seus traços em formas aparentadas de mestres como o catalão Joan Miró e o suíço Paul Klee.
Em cartaz até 4 de dezembro na Fundação Athos Bulcão, todas as peças desta mostra fazem parte da coleção do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Até 4 de dezembro, na Fundação Athos Bulcão (404 Sul, Bloco D, Loja 1, 3322-7801) Segunda a sexta, das 9h às 18h; sábado, das 10h às 17h. Entrada franca.
