Mostra no Museu Nacional traz fotos de locais destruídos pela guerra

Registros do fotógrafo Yuri Dojc mostram construções, livros e pessoas da Eslováquia que sofreram e sobreviveram ao holocausto alemão

atualizado

metropoles.com

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1 de 1 Sinagoga 1 - Foto: Reprodução

O Museu Nacional servirá, a partir desta quarta-feira (10/5), de abrigo para as sensíveis fotografias de Yuri Dojc que compõem a exposição “Last Folio – Preservando Memórias”. Nas imagens, construções abandonadas, livros em decomposição e retratos de idosos apontam os sofrimentos provocados – e não totalmente apagados – na Eslováquia pela 2ª Guerra Mundial (1939-1945).

As fotografias, tiradas em 2005, foram produzidas numa escola judaica e numa sinagoga da pequena cidade eslovaca Bardejov. A produtora Katya Krausova, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro por “Kolya” (1997), participou dos ensaios fotográficos e dirigiu um documentário de 80 minutos apresentando a história dos judeus na Eslováquia. O longa, que leva o mesmo nome da exposição, foi transformado em um curta de 20 minutos que será exibido durante a mostra.

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Em entrevista ao Metrópoles, a produtora afirmou que Dojc não sabia da existência das construções abandonadas antes de ir à cidade. “Estávamos lá para fotografar sobreviventes do Holocausto quando um homem nos mostrou a escola, esquecida no tempo desde 1942”, conta.

Divulgação
O fotógrafo Yuri Dojc e a produtora Katya Krausova

Experiência
Os alunos e os funcionários da escola foram levados para o campo de concentração, a grande maioria foi morta em pouco tempo. Por isso, o local permaneceu praticamente intocado durante todo esse tempo. Com a descoberta de Katya e Dojc, o local se transformou em ponto turístico na cidade.

“O mais surpreendente foi encontrar uma biblioteca cheia de livros escritos em hebraico, inglês e alemão”, disse. O fato chamou tanta atenção que os registros dos livros passaram a dividir espaço com as fotos da arquitetura local e dos sobreviventes do holocausto.

O belo e o trágico andam lado a lado. Queremos mostrar o que há por trás de uma tragédia que todos já conhecem. É tudo muito palpável, muito emotivo e muito doloroso.

Katya Krausova

Mais do que trazer os horrores provocados pelos alemães, a exposição também mostra um outro lado que os moradores da região tentam esquecer: o abandono. A Checoslováquia já havia sido invadida antes do início da 2ª Guerra Mundial e ninguém agiu contra o ataque.

O mesmo ocorreu em 1968, com a chegada dos tanques russos que derrubaram a famosa Primavera de Praga. “Há um medo imenso em mexer na memória. Eu e Yuri também pensamos muito sobre o assunto, pois abandonamos nosso país após a invasão russa. Trazer esse assunto à tona é, de alguma forma, falar sobre nós”, conclui.

“Last Folio – Preservando Memórias”
De quarta (10/5) até 29 de junho no Museu Nacional (Setor Cultural Sul). Visitação de terça a domingo, das 9h às 18h30. Entrada franca

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