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“Monólogos de Gênero” questiona a dualidade homem-mulher

Na videoinstalação, atores interpretam textos criados para pessoas do sexo oposto. Entre eles, Matheus Nachtergaele e Mateus Solano

atualizado

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Diana Blok/Divulgação
Mateus Solano cinderela
1 de 1 Mateus Solano cinderela - Foto: Diana Blok/Divulgação

Uruguaia estabelecida na Holanda, a artista visual Diana Blok é a autora da videoinstalação interativa “Monólogos de Gênero”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a partir desta quinta-feira (1º/12). Na obra, questões sobre as identidades de gênero são trazidas à tona de forma bastante provocativa.

Seis atores e atrizes, brasileiros e holandeses, interpretam textos escritos originalmente para personagens do sexo oposto. Entre eles, Matheus Nachtergaele e Mateus Solano. Nachtergaele interpreta a própria mãe, Maria Cecília; Solano aparece como Cinderela.

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Criada por Diana em parceria com o pesquisador de mídias digitais Pawel Pokutycki, a videoinstalação “Monólogos de Gênero” é composta por seis telas de 2m de altura por 1,5m de largura. Enquanto penetra o espaço, o visitante vai se deparando, pouco a pouco, com essas personagens.

Além dos dois atores, a diretora mineira Grace Passô aparece como Martin Luther King; a atriz Dani Barros, como Antonin Artaud, e os os holandeses Abke Haring e Cas Enklaar interpretam, respectivamente, Hamlet, de Shakespeare, e Liuba Andrêievna, de “O Jardim das Cerejeiras”, de Anton Tchecov.

Queremos questionar os limites dos formatos e dos suportes para questionar, em primeiro plano, os limites impostos pelo levante conservador que vivemos atualmente. E pelas posturas cada vez mais discriminatórias da sociedade diante de indivíduos que transitam por identidades de gênero fora do padrão heteronormativo.

Diana Blok, artista visual

A Diana e Pawel se juntou Glauber Coradesqui, pesquisador e professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade de Brasília (UnB). Responsável pela dramaturgia de “Monólogos de Gênero”, ele avalia a experiência como instigante.”Esses personagens se encontram, se escutam – e isto seria improvável em outro contexto”, explica Glauber.

Para o pesquisador, o mundo passa por uma revolução conservadora que tende a apagar as identidades divergentes dos padrões. “Precisamos colocar na pauta, com urgência, a necessidade de assumir o outro a partir de sua diferença, ir ao encontro dele. Este trabalho dialoga com essa necessidade de maneira lúdica e sensível. É um exercício poético da diversidade”.

“Monólogos de Gênero”
De 1º/12 (quinta) a 2/1 (segunda). Segunda a domingo, das 9h ás 21h (exceto na terça-feira, fechado). No Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul, Trecho 2, Lote 22). Entrada franca. Não recomendados para menores de 12 anos.

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