Juarez Machado monta cabaré kitsch na Caixa Cultural
Com mostra retrospectiva, o artista catarinense, de longa trajetória em Paris, comemora seus 70 anos
atualizado
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Bon-vivant das artes plásticas nacionais, Juarez Machado trabalhou pesado em 2011. Na temporada em que comemorou 70 anos de vida, ele desentocou de seu ateliê parisiense uma larga produção. Era a mostra autocelebratória “Soixante-Dix” que, após rodar capitais europeias e brasileiras, agora chega à Caixa Cultural de Brasília — onde segue em cartaz até 8 de novembro
Esta coleção se compõe de quatro dezenas de telas, entre pinturas a óleo e desenhos. Personagem frequente de seus próprios quadros, ele aqui se autorretrata num meio-caminho entre a paródia e o sublime, meio trágico, meio cômico. Mas sempre cercado por belas mulheres e distintos cavalheiros. Ocasionalmente segurando taças de champanhe.
Apaixonado pela belle époque, aqueles anos prósperos e românticos da virada do século 19 para o 20 na Europa, Juarez Machado tem feito o possível para revivê-la. Nem que seja em sua criação artística.
Cabaré na tela
Nascido em Joinville (SC), em 1941, ele se mudou para o Rio de Janeiro na década de 1960. Embora mantenha ainda hoje ateliês em ambas as cidades, desde 1986 ele vive e trabalha em Paris. Mais precisamente, Juarez Machado tem um ateliê em Montmartre, o clássico bairro da boemia parisiense, onde a belle époque reluziu em absinto e borbulhou em champanhe. Como o Moulin Rouge, hoje em dia, não passa de cartão postal, cabe ao artista fazer de cada tela um cabaré.
Assim, o visitante que cruzar a porta de vidro da Galeria Principal da Caixa Cultural pisa em um teatro de revista. Dando a volta pelas paredes da ampla sala, lado a lado, como dançarinas de cancan exibindo suas cintas-ligas, estão as telas dessa empreitada “Soixante-Dix”.
Todas elas com o mesmo traço, estilizado ao extremo, característico do autor. Cortejando o kitsch num figurativismo datado. Apelando nas cores quentes, propositadamente extravagantes, em choque com largas áreas cinzentas. Repetindo o mesmo procedimento a cada vez, sem muito a acrescentar, Juarez Machado imprime uma cafonália rasteira que faz pensar num Romero Britto de vidas passadas.
No meio do salão, pendurados do teto, giram uma dezena de trajes também estilizados com o mesmo afinco. Paletós e coletes que remontam aos personagens das telas. Suspensos pouco acima da cabeça dos visitantes, os trajes completam a atmosfera delirante ( e oca) das pinturas.
Até 8 de novembro, na Caixa Cultural (Setor Bancário Sul , Quadra 4, Lotes 3 e 4; 3205-9448). Terça a domingo, das 9h às 21h. Entrada franca. Livre.
