Ivald Granato: 5 destaques da mostra na Caixa Cultural

Um dos pioneiros da performance no Brasil, o artista fluminense morreu em 3 de julho, aos 66 anos. Na Caixa Cultural, uma exposição revive os melhores momentos da carreira

atualizado

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Mila Maluhy/Divulgação
Ivald Granato, exposição na Caixa Cultural
1 de 1 Ivald Granato, exposição na Caixa Cultural - Foto: Mila Maluhy/Divulgação

Poucos dias antes de morrer, Ivald Granato esteve em Brasília para abrir a exposição “Registro – Arte – Performance”, na Caixa Cultural. A mostra reúne, na Galeria Principal do espaço, um extrato da extensa produção de um dos pioneiros da performance. Granato faleceu na madrugada de domingo (3/7) e deixou uma obra irreverente, inquietante e subversiva.

Em lembrança ao trabalho do artista, a lista abaixo comenta alguns dos principais aspectos vistos na exposição. Desenhos, fotografias, colagens, cartazes de eventos, vídeos, roupas e acessórios formam uma imersão em títulos marcantes do fluminense, como “My Name Is Not Andy Warhol” (1984), “O Urubu Eletrônico” (1976) e sua obra máxima, o happening “Mitos Vadios” (1978).

Reprodução/Catálogo da mostra

Um artista multimídia
Granato soube se apropriar praticamente de todas as linguagens: pintura, fotografia, vídeo, música e, claro, a performance, que atravessa todas elas. Na mostra, a própria montagem parece consciente do espírito irônico e contestador do artista. Um álbum de fotos imprevisível e surpreendente a cada página.

Em paredes repletas de títulos de obras e frases do artista, o trajeto revela um passeio caótico por trabalhos híbridos. Na arte de Granato, uma foto nunca é apenas uma foto, mas uma intensa exploração de conceitos e épocas que vão da performance de rua às rupturas da contracultura.

Felipe Moraes/Metrópoles

A irreverência
Apesar de o posicionamento político ser notório – antiditadura militar e crítico em relação à elite artística brasileira –, Granato é capaz de fisgar qualquer visitante com seu infalível bom humor. Ele se metamorfoseia em telas, fotos, cartazes e happenings sob personas diversas.

Herdeiro da pop art, o fluminense espalha cores em suas brincadeiras com Woody Allen e Andy Warhol. Numa seção da mostra, roupas e acessórios usadas em performances fornecem um olhar íntimo sobre a obra colorida e diversificada do artista.

Reprodução/Catálogo da mostra

Os achados poéticos
Habilidoso com palavras e trocadilhos, Granato era capaz de observações geniais já no título das obras. “Artista Sofre” (1978), uma das mais engraçadas, mostra o autor de semblante desamparado, com intervenções desenhadas.

Em “My Name Is Not Joseph Beuys” (1978), outra brincadeira envolvendo um nome clássico da performance, ele aparece rodeado por bichinhos infláveis e de pelúcia. Ele volta a brincar com velhos clichês da classe artística em “Adote um Artista, Não Deixe Ele Virar Professor” (1977). Apesar do carisma imediato, ele consegue transcender o mero frasismo: recheia os chistes com suas criações tropicalistas e surreais.

Felipe Moraes/Metrópoles

O corpo como tela e pincel
Outra constante na obra de Granato é o uso do corpo de formas múltiplas. A pintura e o desenho, linguagens manejadas por ele no começo da carreira, nos anos 1960, aderem às performances com fins de registro.

Nas fotos, fica evidente o interesse do artista em soar intuitivo e gestual: uma forma de unir artista e obra num só instante. É o caso da performance “Ação Imagem e Ação” (1979), vista na imagem acima. Trata-se de uma série de fotografias em que Granato se debate entre pintura de corpo, baldes de tinta e trapos amarrados ao corpo.

Reprodução/Catálogo da mostra

Entre fotos, colagens e cartazes
O fato de nenhuma das obras expostas ter ficha técnica indica o pensamento de Granato em relação ao fazer artístico. Comprova-se uma frase certeira sobre performance dita pelo artista e registrada no catálogo: “é uma coisa que vem, tem a vida e vai, some no ar”.

Esse aspecto quase que imaterial da performance obviamente se perde quando nos restam apenas os registros desses eventos em fotos, cartazes e colagens. Ainda assim, esses itens conseguem capturar a espontaneidade de Granato e apresentá-la ao público. Mesmo que ele, de corpo e alma, não esteja presente.

“Ivald Granato: Registro – Arte – Performance”
Até 4 de setembro, na Galeria Principal da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul, quadra 4, lotes 3/4, 3206-9448/9449). Visitação de terça a domingo, 9h às 21h. Entrada franca.

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