A Era de Ouro revela como Neil Bogart mudou história da música nos EUA
Filme resgata a história de Neil Bogart, resonsável pela gravadora que lançou os nomes de Kiss, Donna Summer e outros ao estrelato
atualizado
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Para além da época em que despontaram nas rádios norte-americanas, Kiss, Donna Summer, Bill Whiters, George Clinton, Village People, entre outros artistas que fizeram sucesso a partir dos anos 1970, têm em comum a influência de Neil Bogart.
Pouco lembrado do lado de fora dos bastidores, o fundador da Casablanca Records, uma das gravadoras independentes mais importantes da história, acaba de ganhar uma cinebiografia à altura de sua contribuição para a música: Era de Ouro, que estreia nesta quinta-feira (10/8) nos cinemas brasileiros.
Dirigido por Timothy Scott Bogart, um dos filhos de Neil, a produção chega sem muitas expectativas às salas, em meio ao frisson de Barbie, Openheimer e Besouro Azul, mas cumpre bem a missão de contar como Bogart superou a origem humilde para se tornar uma personalidade influente na indústria fonográfica.
O longa volta à infância do empresário para identificar seus traumas e motivações, mergulha em sua personalidade determinada e fraquezas, e, de brinde, faz menção a uma vasta sequência de acontecimentos marcantes para a música mundial.
Sucessos e polêmicas
A direção de Timothy Scott Bogart opta por supervalorizar fatos sobre o passado do pai e apostar em narrativas que podem não ter ocorrido como o filme apresenta, o que pode ser frustrante para quem assiste. A estratégia, contudo, é usada de maneira honesta: logo nos primeiros minutos, o ator protagonista, Jeremy Michael Jordan, destaca que “cada parte da história é verdade, mesmo as partes que não são”, apelando à imaginação e à boa vontade do espectador.
Um exemplo disso ocorre quando o filme fala sobre a origem de Beth, que está no repertório do Kiss há quase 50 anos. Enquanto Timothy Scott Bogart se apropria da canção para fazer uma relação entre ela e um caso extraconjugal de Neil com Joyce, então agente da banda, há uma versão mais conhecida sobre o surgimento da canção.
Nela, Beth foi coescrita por Criss e Stan Penridge, quando eles tocavam em uma banda chamada Chelsea. A música foi originalmente chamada de Beck, porque foi inspirada na esposa de um músico do Chelsea, Mike Brand, cujo nome era Becky. Mais tarde, Gene Simmons teria sugerido mudar os trechos para Beth, por uma questão de sonoridade.
Para além de curiosidades do Kiss, os minutos dedicados a explicar como nasceram sucessos como a versão de 16 minutos de Love To Love You Baby, de Donna Summer, e Ain’t No Sunshine, de Bill Whiters, por exemplo, são o ponto alto do longa, uma vez que prendem a atenção do espectador e ao mesmo tempo em que dispensam qualquer esforço para fazer a trilha sonora brilhar.
Vale destacar que embora Timothy Scott Bogart não seja nada modesto ao enumerar os feitos do pai, a quem dedica o filme, e sua personalidade cativante, o diretor não deixa temas espinhosos de fora, como a infidelidade de Neil com a primeira esposa, Beth Bogart, e o período de afogamento em drogas.
O elemento familiar também acrescenta cenas emocionais e sensíveis a uma produção que ainda reserva bons momentos de humor e atuações medianas, com destaque para Jeremy Michael Jordan e Casey Likes, que vive o temperamental e talentoso Gene Simmons, líder do Kiss.
Faz valer os US$ 27 milhões de orçamento? Não. Mas dá para se divertir.





