Entenda como a chegada do Disney+ altera o mercado de streaming no Brasil

Plataforma da gigante do entretenimento estreia no país no próximo dia 17 de novembro e aposta na parceria para ganhar o gosto do consumidor

atualizado 06/11/2020 20:28

Disney+ StreamingUnsplash

A aguardada estreia do Disney+ no Brasil, enfim, está prestes a acontecer. O streaming da gigante do entretenimento desembarca no país no próximo dia 17 de novembro, com catálogo recheado de produções dos estúdios Disney, Lucasfilm, Marvel, Pixar e National Geographic  –o Metrópoles já esmiuçou o que o público pode esperar do serviço: confira.

Com a chegada da plataforma no Brasil, o mercado de entretenimento, que já era concorrido – sob a liderança da Netflix e do Amazon Prime Video – passa a ser ainda mais, e cada produção, catálogo e valor da assinatura tendem a pesar para um serviço ou outro.

Dona de um catálogo estrelado e com diversos títulos já conhecidos do público, como a Saga Star Wars e o Universo Cinematográfico Marvel (MCU), o Disney+ chega ao país já desfalcando a concorrência e tem na exclusividade um de seus trunfos para conquistar o consumidor brasileiro.

A partir do dia 17 de novembro, todos os títulos vinculados a Disney Company no Brasil passarão a ser exclusivos do streaming da “Casa do Mickey”. Líder do mercado, a Netflix, que já vinha sofrendo com um êxodo de produções em seu catálogo, perderá grande parte de seus títulos voltados ao público infantil. Já o Amazon Prime Video, que até então era uma espécie de “hospedeiro” do serviço no país, verá grande parte dos filmes destaques de seu catálogo “irem embora”.

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Para Gilson Schwartz, professor livre-docente em economia do audiovisual da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), como a chegada da Disney+ ocorre num contexto de ampliação do mercado, os serviços tendem a busca ainda maior exclusividade, o que pode ser negativo para as produções brasileiras.

“Ou seja, não estamos num jogo de soma zero, mas num contexto de aumento acelerado da base de consumidores, em boa medida por conta da pandemia. Seria absurdo um mercado crescer sem atrair concorrentes. Resta saber se os produtores brasileiros terão incentivos e apoios à altura do momento. Caso contrário, os catálogos crescerão com produtos importados (reprodução da lógica de enlatados que marca boa parte da história do audiovisual brasileiro)”, explica o especialista.

Além da retirada de seus títulos de outros serviços, o Disney+ tomou outra medida para tornar sua plataforma ainda mais exclusiva. A partir deste mês a empresa vai parar de distribuir lançamentos nos formatos DVD e Blu-ray no país – e em toda a América Latina –, fazendo com que, após o cinema, seus títulos sejam consumidos apenas no streaming.

Por conta da pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, algumas estreias de cinema fizeram o caminho inverso do que a Disney pretende futuramente e foram lançados diretamente no streaming: como o live-action de Mulan e o musical Hamilton – que estão na lista de filmes mais vistos no streaming em 2020. Em dezembro, Soul, nova animação da Pixar, chega a plataforma.

Diferente do que aconteceu nos Estados Unidos, que os filmes tiveram que ser alugados, ou seja, o consumidor norte-americano precisou desembolsar um valor extra para conferir a produção, os três longas já estarão inclusos no valor da assinatura no mercado brasileiro. Segundo Schwartz, os fãs nacionais podem ficar tranquilos, a estratégia de lançamentos em VOD (Vídeo Sob Demanda) pela Disney não deve ser usada tão cedo terras tupiniquins.

“A evolução do VOD  em países de baixa renda e péssima distribuição de renda dependerá da criatividade nas formas de fidelização mais do que a expectativa de geração de caixa a partir do consumo. A história do celular pré-pago é uma referência importante para quem precisa entender as formas de capturar consumidores num mercado com população significativa, mas sujeito a dramáticas restrições orçamentárias”, ponderou.

Parcerias para se estabelecer

Com a divulgação do preço na última terça-feira (3/11), internautas do país entraram em “alvoroço” por conta dos altos valores de assinatura – na pré-venda (disponível até 16 de novembro) é de R$ 237,90 pelo plano anual (valor de R$ 19,82 por mês). O valor após esta data será de R$ 27,90 por mês. No plano anual sai R$ 279,90 (igual a R$23,32 por mês).

Porém, no mesmo dia, a gigante do entretenimento conseguiu dar a volta por cima e já fez os consumidores brasileiros se tornarem mais suscetíveis a adquirirem o serviço. A Disney fechou parceria com o Globoplay para assinatura conjunta dos serviços.

Os combos com o Globoplay podem ser assinado por a partir de R$ 37,90, preço referente ao plano anual (total de R$ 454,80) básico do streaming da Globo com Disney+ – o valor mensal sai por R$ 43,90. Já o pacote com os canais ao vivo, sai por R$ 718,80 (valor de R$ 59,90 por mês) e R$ 69,90 (mensal).

Outra novidade, é que usuários do Mercado Livre e Mercado Pago terão descontos exclusivos ao realizarem a assinatura de streaming. Dependendo do nível de Mercado Pontos no qual se encontram, usuários que realizarem a assinatura do serviço por 12 meses poderão ter até seis meses de gratuidade.

De acordo com o especialista, esta parceria entre serviços é uma tendência que deve se repetir em curto/médio prazo. “Um mercado com poucos competidores pode ser presa fácil de conluios, acordos entre os competidores. Pode ser também uma oportunidade para que a competição leve efetivamente a menores preços, diversificação de produtos e serviços”, afirma.

No entanto, Gilson ressalta que o futuro dessas parcerias é incerta, por conta do momento de fragilidade no marco regulatório da cultura, do audiovisual e das telecomunicações no Brasil. A questão que envolve a regulamentação das plataformas no país, foi alvo de polêmica antes da chegada do Disney + no Brasil.

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