"Elize não seria morta por Marcos", garante advogado da família Matsunaga
Advogado da família Matsunaga diz que filme da Netflix criou uma justificativa para Elize ter cometido assassinato de Marcos Matsunaga

Em meio ao aumento do número de casos de feminicídio no país, a história de Elize Matsunaga ganhou uma nova leitura na opinião popular, como “a mulher que matou antes de ser morta”. Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado contratado pela família de Marcos Matsunaga para atuar na acusação contra a esposa do empresário, rejeita esta versão e afirma que adaptações como Elize: Sombras de Uma Mulher criam uma “justificativa” para o assassinato.
“[A Elize] não seria morta. Esta ideia de ser morta é uma ficção, uma narrativa construída pela defesa dela”, afirma o advogado criminalista em entrevista ao Metrópoles.
Elize Matsunaga foi condenada em 2016 a 16 anos de prisão pelo assassinato, esquartejamento e ocultação do cadáver de Marcos Matsunaga. O Tribunal do Júri de São Paulo a considerou culpada por homicídio duplamente qualificado e negou os argumentos apresentados pela defesa, de que ela teria agido em legítima defesa e sob forte emoção ao tirar a vida do herdeiro e diretor executivo do grupo Yoki.
O advogado contratado pela família Matsunaga à época do julgamento de Elize relembra que, durante o júri, testemunhas descreveram Marcos Matsunaga como um marido carinhoso e que atendia a todas as vontades da esposa. Segundo ele, ela mesma teria negado que o empresário tivesse um histórico violento no relacionamento, que durou de 2004 a 2012.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Entretenimento“Não havia risco de vida para ela. Marcos nunca foi violento com ela. Pelo contrário. Isso foi dito por ela e pelas testemunhas. O que acontece é que, quando ela descobre que ele tem um relacionamento fora do casamento, naturalmente há um abalo dela com ele”, afirma.
O advogado Luiz Flávio Borges D’Urso defende que o assassinato cometido por Elize Matsunaga, retratado no filme como uma reação ao ser confrontada pelo marido, teria sido na verdade arquitetado por ela dias antes do crime. Como justificativa, o criminalista apresenta quatro argumentos:
- Semanas antes do crime, Elize procurou advogados da família para consultar quais as garantias que ela e a filha teriam em um possível divórcio. D’Urso diz, no entanto, que ela teria desistido de formalizar a separação contra o marido “para manter o status quo”.
- Elize teria viajado para visitar a família no Paraná antes de contratar os detetives particulares que flagraram o caso extraconjugal de Marcos. O advogado diz que ela teria “dado liberdade ao marido” para que ele procurasse a amante, criando a oportunidade para que ela tivesse provas da traição.
- A caminho do aeroporto para voltar para São Paulo, Elize comprou uma serra elétrica e a trouxe para casa na mala da babá da família. A acusação defendeu que a ferramenta, que nunca foi encontrada, teria sido a arma usada para esquartejar o corpo de Marcos – que ainda estava vivo quando teve a cabeça decepada.
- Após esconder as partes do cadáver do marido em Cotia (SP), Elize passou dias mentindo à família Matsunaga, afirmando que o marido na verdade teria a abandonado pela amante. Além de apresentar as fotos feitas pelos detetives, ela ainda teria enviado um falso e-mail para tentar despistá-los.
Filme tem “erros gravíssimos”
Durante a conversa com o Metrópoles, o criminalista não nega elogios a produção da Netflix, mas foi categórico ao afirmar que o filme comete uma série de “erros graves” ao adaptar a história real e reconstituir o crime que chocou o país em 2012.
Segundo o advogado, detalhes fundamentais sobre a forma como o empresário foi morto foram alterados ou deixados de lado em nome de escolhas artísticas da produção. “O filme vale como uma obra de ficção, mas, no que diz respeito ao crime em si, comete erros gravíssimos”, afirma Luiz Flávio Borges D’Urso.
“Para uma obra artística, com licença poética, vale. O filme traz quase que uma justificativa para o comportamento dela, o que, efetivamente, é um resultado satisfatório para Elize, para a defesa dela”, reflete. “Mas que não é satisfatório para a família e muito menos para a realidade”, conclui.


























