Duelo de streaming: Amazon tem qualidade e Netflix quantidade

O Metrópoles fez um raio-X dos dois serviços e aponta qual atende mais ao seu gosto

atualizado 27/09/2019 20:21

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Na grande guerra dos streamings, há muitas opções para o consumidor. Entre Hulu, Crackle, HBO GO/Now, YouTube Premium, Apple Play, GloboPlay, Net NOW, Netflix e Amazon fica difícil de escolher. No entanto, a rivalidade mais intensa no momento é entre a Amazon Prime Video, e a Netflix – principalmente no mercado brasileiro.

Ao longo dos últimos tempos, a Netflix tem sido cada vez mais criticada por focar na quantidade de produções originais ao invés de se ater a qualidade das séries. Em contrapartida, a Amazon Prime têm recebido elogios por apostar no famoso “menos é mais”. Prêmios como o Emmy 2019, por exemplo, apontam para uma vantagem da empresa de Jeff Bezos, no entanto, o pioneirismo da concorrente conseguiu consolidar a marca como sinônimo de streaming.

Para tirar a dúvida, o Metrópoles fez um raio-X dos dois produtos. O resultado? A Amazon tem conseguido mais espaço e elogios da crítica, enquanto a Netflix ainda domina este mercado, investindo pesado em ações de marketing e grandes eventos, como a CCXP.

Confira as principais diferenças entre as plataformas abaixo:

Preço

Uma das principais e mais drásticas diferenças é o preço de inscrição. A Netflix tem três planos:

  • Plano básico: Por R$ 21,90 (ou R$ 262,80 anualmente), o cliente tem direito a assistir em uma tela, sem resolução HD;
  • Plano padrão: Por R$ 32,90 (R$ 394,80 anualmente), o cliente tem direito a duas telas simultâneas e resolução HD;
  • Plano premium: Por R$ 45,90 (R$ 550,80 anualmente), o cliente tem direito a quatro telas simultâneas, com HD e Ultra HD disponíveis.

Para todos os planos da Netflix, o cliente pode usar o serviço em notebook, TV, smartphone ou tablet. O usuário pode ver quantos filmes e séries quiser, e pode cancelar a inscrição a qualquer momento. Além disso, têm direito ao primeiro mês grátis.

Enquanto isso, a Amazon Prime lançou no último dia 10, no Brasil, o Amazon Prime, que dá a seus assinantes direito a frete grátis em produtos com selo Prime e acesso aos serviços de streaming, como Prime Video, Prime Music e Prime Reading. Novos membros poderão experimentar o serviço de graça por 30 dias e, após esse período, fazer uma assinatura mensal de R$ 9,90, ou optar pelo plano anual – no valor de R$ 89.

Destaques da Amazon Prime Video:

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Catálogo

De acordo com a uNoGS (Netflix Global Search), há 4.279 títulos na Netflix, sendo 2.912 filmes e 1.367 séries – no entanto, a plataforma não confirma oficialmente os dados.  A Amazon também não divulgou os números totais.

A Amazon, no entanto, tem conseguido filme lançados no cinema mais rapidamente e também possui bom catálogo de longas brasileiros. A Netflix, por sua vez, investe em produções originais, duas muito aguardadas são Dois Papas, do Fernando Meirelles, e O Irlandês, de Martin Scorsese.

Originais

Assim como a Netflix, a Amazon Studios também produz filmes e séries originais. Ambas plataformas têm angariado prêmios, como Roma e Manchester By The Sea, que ganharam Oscar. Além delas, há também diversos seriados que recebem cada vez mais atenção positiva da crítica, como Fleabag, Os Olhos Que Condenam, Stranger Things e Homecoming.

Destaques da Netflix:

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O mercado

De acordo com Alexandre Kieling, professor e pesquisador na área de comunicação da Universidade Católica de Brasília (UCB), a disparidade de preços é uma tática agressiva da Amazon para atrair mais clientes ao serviço. “Historicamente, a empresa é bastante agressiva”, explica Kieling. “Ela entra com a capacidade de manter um preço baixo durante um tempo e ganhar mercado. Mas se você for comparar o acervo da Netflix e a capacidade de produção que ela tem hoje, ela ganha da Amazon”, conclui.

Kieling ainda lembra que a Amazon entrou no mercado mais recentemente, alegando que ainda há uma curva de aprendizado para chegar ao patamar da Netflix.

Quanto às críticas feitas sobre a política de produções em sequência, com decréscimo da qualidade, operada pela Netflix, o professor afirma que o streaming está apenas trabalhando com a natureza de consumo. “Você tem claramente um público de entendimento mais massivo [que se interessa pela produção] que faz você sair da sua rotina sem nenhum comprometimento que exija reflexão. Portanto, é preciso entregar esses conteúdos mais simples, rápidos e constantes”, opina.

Ao mesmo tempo, no entanto, o professor afirma que as exigências de um outro tipo de consumidor, mais atento à qualidade: “Há também um público com um olhar mais sofisticado para a produção audiovisual, e eles procuraram coisas mais sofisticadas e complexas– em narrativas mais estruturadas, nada desse modelo ‘fast food“.

Para o especialista, o mercado caminha rumo a uma multiplicidade de serviços. Kieling explica que, de acordo com a tendência do mercado, cada vez mais pessoas irão optar pelo streaming em detrimento dos canais por assinatura – embora estes também já estejam entrando nesse mercado, como o Telecine Play, HBO Go e o Net NOW.

“O serviço de assinatura tende a ser substituído pelos serviços de streaming. Se você somar todos esses novos modelos, você vai acabar pagando menos do que gasta na TV por assinatura. Essa conta já vem sendo feita em diversos lugares e os clientes estão migrando para múltiplos serviços de streaming”, aponta.

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