Dez mandamentos para sobreviver à folia momesca na capital da Bahia
A festa em Salvador dura vários dias e tem seus segredos. Veja dicas para chegar até o fim dessa maratona de Carnaval
atualizado
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Por Freddy Charlson
SALVADOR (BA) – O carnaval baiano é, sobretudo, para os fortes. Sonho de consumo de milhões de pessoas em todo o país, a festa que, dizem, começa em 1º de janeiro e termina em 31 de dezembro – cujo ápice, este ano, ocorreu a partir dos primeiros sinais de fevereiro – tem lá suas regras.
E elas podem ajudar o folião a chegar são e salvo à sua humilde residência, após beber todas, andar igual um beduíno no deserto, escapar feito McGyver de várias roubadas, não levar golpes de cassetetes da nada peace & love Polícia Militar soteropolitana e evitar as brigas por território e roubos de celular.
Esperto na avenida, com os olhos e ouvidos ligados em mode hard (tanto na elitista Barra-Ondina quanto no popular Campo Grande), o Metrópoles desvendou algumas dessas regras para vocês aproveitarem os últimos dias da folia. Oremos.

1 – Tomarás água. De preferência, mineral
Não tem jeito. O líquido cuja fórmula química é H2O é a oitava maravilha da natureza. Tanto para ser consumido nas intermináveis quatro horas que duram o desfile de um bloco quanto para hidratar os suados corpos nas avenidas de Barra-Ondina e Campo Grande. Carlinhos Brown já dizia, numa composição do Timbalada: “Bebeu água? / Não! / Tá com sede? / Tô! / Olha, olha, olha, olha a água mineral / Água mineral / Água mineral / Água mineral / Do Candeal / Você vai ficar legal / Piriri, piriri, piriri.
2 – Só comerás alimentos de procedência segura
Meu rei e minha rainha, evitem comer na rua, em quiosques, em barraquinhas e nas mãos de vendedores ambulantes. A reportagem flagrou salsicha sendo reaproveitada em carrinhos de cachorro-quente. E um vídeo com água de gelo sendo colocada por um ambulante numa garrafinha vazia para ser vendida como água mineral está fazendo sucesso no Whats App local. Você não vai querer curtir o carnaval no Bloco do Vaso Sanitário ou no Unidos do Piriri. Ou vai?

3 – Andarás sempre com um documento de identidade
Sim, por mais que esteja no meio da muvuca e fazendo tudo o que tenha direito – e mais um pouco – você ainda é você mesmo. Por isso, sempre carregue um documento oficial que o identifique. Ele servirá para provar que você é você mesmo na entrada de um bloco ou camarote. Ou, ainda, no caso de uma abordagem policial nada tímida, será muito útil. Por fim, serve para lembrar, após beber muitas e boas, que aquele cara ou aquela mina, ali, na foto do RG é você.
4 – Terás sempre um fiel amigo do lado
Se tem uma coisa que é bom é ter amigos. E, no caso do carnaval baiano, nada melhor do que poder contar com alguém que te salve de uma roubada. E a tal roubada tanto pode ser um arrastão, uma briga, uma tentativa de roubo, um furdúncio com a PM ou com alguma garota ou garoto que, no meio da emoção, possa estar em contato íntimo com possibilidades de arrependimento futuro…
5 – Te protegerás do sexo casual
Chacrinha – batizado como Abelardo Barbosa – já pregava, nos idos anos 1970, que era preciso se precaver. No Carnaval, então, a precaução deve ser redobrada, com os ânimos e hormônios à flor da pele. A tal camisinha (que na marchinha carnavalesca, tem duplo sentido) é alegoria no meio do bloco, metamorfoseada em bexiga de ar. Mas pode e deve ser utilizada de outra forma. Sacaram?
6 – Cuidarás de teus pertences
Telefones celulares, carteiras, dinheiro, tênis, fitinhas de camarote, abadás de bloco. Vale tudo para exercer a jurássica arte de extrair o bem alheio. Portanto, incauto folião, fique atento. Se possível, coloque as peças pelas quais pagastes quase os olhos da cara apenas na entrada do bloco. Se possível, não leve carteira para a avenida (um dinheirinho para a bebida e comida ou para o táxi da volta, no máximo) e não carregue telefone celular (ok, sabemos que a tentação é grande, que o desejo de registrar o momento nas redes sociais é incontrolável e coisa e tal, mas…).

E, se possível, coloque o dinheiro dentro na meia, no tênis. De qualquer forma, o esquema da PM é clássico, tanto no Campo Grande quanto em Barra-Ondina: grupo de cinco militares, com cara feia, alto aparato militar e cassetete sempre em riste. Uma ajuda e tanto. Entendido?
7 – Te preocuparás com a própria saúde
É, correr atrás de trios elétricos durante uma semana não é fácil, sabemos. A tarefa é para superatletas, com alto rendimento e performance. Ou, então, para doidivanas movidos a combustível etílico. Mas se resolveu encarar a bagaça, faça direito. Protetor solar com FPS 50, Engov, Dramin, Dorflex e Neosaldina são recomendáveis. Nada de ressaca ou dores de cabeça e muscular. Seja escoteirinho e faça tudo direitinho, viu, bebê?
8 – Usarás roupas confortáveis
Somos civilizados, certo? Então, que tal vestir-se de maneira apropriada para a festa. Pode ser um abadá (P.S.: lembrando que após o carnaval, abadá não é roupa, e não serve nem para ir à academia), uma camiseta leve, uma bermuda confortável. Pronto, partiu requebra!
9 – Beberás até um certo limite
Vixe, se você chegou até aqui, chegou na parte da bebida. Ora, quem não bebe hoje em dia, né? Pois é, poucos. Assim, só nos resta pedir que essa bebedeira seja com moderação. No caso do carnaval de Salvador há, pelo menos, um estímulo: a Prefeitura Municipal fechou acordo com a cervejaria Schincariol para ser a fornecedora exclusiva da bebida na festa.

Cerveja Schin, água mineral Schin, refrigerante Schin. Bares, restaurantes e até ambulantes estão proibidos de comercializar outro tipo de bebida, muito embora o Metrópoles tenha flagrado a venda no mercado negro (também conhecido como black market), de cerveja Skol e refrigerante Coca-Cola. Oh, heresia! Fontes extraoficiais nos contaram que, diariamente, são despejados no comércio carnavalesco, cerca de 460 carretas de bebidas da marca. Que beleza! Ou não.
10 – Cuidarás do próximo como cuidas de ti mesmo
Para finalizar a dica básica de sobrevivência: seja uma pessoa bacana. Não procure brigas, não tome pra si o que não é seu, não force a barra com as mulheres (nem com os homens), beba moderadamente. E dance, pule e curta a valer, afinal o carnaval só acontece uma vez por ano. Mesmo o baiano, acredite.
