Do TCC às livrarias: livro-reportagem debate mídia na infância
Livro Crianças Conectadas e Cidadãos Críticos, de Iza Carvalho, usa a educomunicação para transformar o olhar infantil sobre as mídias

A relação das crianças com a informação vai muito além das telas digitais e passa pelo consumo diário da TV, jornais e demais conteúdos que circulam no ambiente familiar. Foi a partir dessa premissa que a jornalista e educomunicadora Iza Carvalho lançou o livro Crianças Conectadas e Cidadãos Críticos: A Revolução Educomunicativa no Ambiente Escolar, pela Editora Telha. O evento de lançamento foi realizado na Livraria da Travessa do CasaPark, em Brasília, nesta sexta-feira (11/9).
O percurso da autora — hoje especialista em Neurociência, Educação e Desenvolvimento Infantil — conecta a investigação profissional à própria história. Crescer ao lado de quatro irmãos mais novos e de sua mãe, a professora Rosana Sousa, despertou o olhar de Iza para o universo infantil, culminando na parceria profissional entre mãe e filha.
Com mais de 30 anos de trajetória na Secretaria de Educação do DF e então docente na escola pública CAIC Santa Paulina, no Paranoá, a educadora abriu as portas da turma com estudantes de 6 a 8 anos para a pesquisa de campo e auxiliou na estruturação dos planos de aula do livro.

“Voltar à sala de aula como pesquisadora foi um movimento mágico. Cresci vendo a paixão da minha mãe pela educação e sempre nutri um respeito profundo pelos meus professores, com quem mantenho contato até hoje. Estar do outro lado e ver nos olhos daquelas crianças a mesma curiosidade que eu sentia quando pequena foi a confirmação de que a escola é o ponto de partida para a construção do pensamento crítico e da nossa própria história”, disse Iza.
A publicação é o desdobramento do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), um livro-reportagem acadêmico, desenvolvido na graduação em Jornalismo pela Universidade Paulista (UNIP) — projeto que rendeu a Iza e a Rosana o destaque no Prêmio Paulo Freire de Educação e uma moção de louvor pelo impacto alcançado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesNo centro do trabalho está a educomunicação, campo de estudo que une educação e comunicação para transformar a relação dos leitores com as mídias. A obra extrai do jornalismo critérios práticos, como a checagem de fatos, a escuta e a interpretação, para aplicá-los ao cotidiano infantil.
Embora perguntar seja um comportamento natural da infância, o livro defende que esse ímpeto precisa ser qualificado, pois a criança deve compreender o peso do que questiona para não perder o protagonismo com o passar do tempo. Longe de se restringir ao campo pedagógico, a obra mostra como o hábito de interrogar o que se assiste, lê e ouve forma critérios de análise que acompanham o indivíduo continuamente.
“É um sentimento esplêndido ver um trabalho de tanto tempo tomando o lugar que ocupa agora, rodeada por pessoas que fazem parte da minha história. Esse livro é uma ponte entre o jornalismo e a educação, pensado para mostrar como a curiosidade das crianças pode ser um caminho potente para a formação de cidadãos conscientes”, destaca a autora.
A chegada do livro às prateleiras expande para o público geral um debate sobre letramento midiático e cidadania contemporânea. Em essência, o trabalho demonstra que a maturidade diante da mídia não depende do adiamento para fases posteriores, mas do fortalecimento consciente da voz infantil no presente.



