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Cultura

Cannes: Nagi Notes, de Kôji Fukada

Competitiva do Festival de Cannes começa de modo lento e humanistas

13/05/2026 16:15, atualizado 30/09/2026 19:24
Festival de Cannes/Divulgação
Cannes: Nagi Notes, de Kôji Fukada

Se o cinema reflete as preocupações da atualidade, a competição oficial do Festival de Cannes começa de maneira discreta, mas humanista. No romântico Nagi Notes, as vidas de uma pequena cidade japonesa são tocadas pela arte e pelo comércio local. Diferenças entre o campo e a cidade, assim como as que causam o rompimento do amor são o que catalisam a trama deste roteiro, mas todas as suas possibilidades de conflito buscam não as sensações extremas, mas sim a junção harmônica de seus elementos. Um espírito budista, poderia se dizer, em pleno clichê.

Yuri (Shizuka Ishibashi), um arquiteta bem-sucedida, urbana e divorciada desce do trem na cidade de Nagi, que conheceu anteriormente, enquanto ainda estava casada. Fugindo um pouco do script da separação tradicional, Yuri veio à cidade encontrar a ex-cunhada Yoriko (Takako Matsu), irmã de seu ex-marido, com quem ela mantinha uma boa relação. Yoriko vive uma existência sossegada na cidade onde sempre viveu, e passa seu tempo fazendo esculturas. A primeira coisa que ela pede à ex-familiar, aliás, é que esta sente para posar para uma estátua.

Por seu lado, as ambições artísticas de Yoriko não são tão grandes. O que o encontro entre as duas mulheres propõe, então, é algo tranquilo e impressionista. Uma poderia estar testando o conforto da outra dada as circunstâncias, mas nenhuma quer fazer nenhuma espécie de jogo de poder. O romance platônico entre as duas–e nunca existe a tensão de algo carnal–é algo de descoberta e humanidade.

Não que os outros habitantes do vilarejo sejam isentos de seus próprios cacarecos. Em especial, dois adolescentes, Keita (Kiyora Fujiwara) e Haruki (Kawaguchi Waku), tem seu próprio relacionamento, cujas descobertas formam paralelos com Yuri e Yoriko. Uma das metáforas mais explícitas de Nagi Notes é que o vilarejo contém uma base militar vizinha. Se trata de uma vantagem no sentido em que provém fundos municipais suficientes para a existência de um museu de arte contemporânea, e de uma desvantagem toda vez que treinamentos com explosivos interrompem a paz sonora do local.

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Nagi então, surge como um ambiente completamente realizado deste trabalho. Sua maturidade, porém, é um de seus defeitos, pois o que o filme explora é tão humanamente comum, que os próximos dias de festival o ofuscarão.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

Cannes: Nagi Notes, de Kôji Fukada