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Cultura

Cannes: La Vie d´une Femme, de Charline Bourgeois-Tacquet

Filme regular funciona como uma amostra dos talentos de Léa Drucker.

13/05/2026 22:07, atualizado 22/09/2026 17:47
Festival de Cannes/Divulgação
Cannes: La Vie d´une Femme, de Charline Bourgeois-Tacquet

A atriz Léa Drucker começou sua carreira no cinema antes dos 20 anos. Hoje, com 54 anos, sabemos que ela teve uma vida inteira de papéis femininos capazes de explorar diferentes fases da vida. Alguns, mais genéricos que outros, mas ainda assim, ela ainda exibe um magnetismo interessante, digno de uma estrela de cinema. Pouco sabia do que esperar de um filme, logo no começo do Festival de Cannes, com um título tão genérico quanto La Vie d´une Femme, ou A Vida de uma Mulher. É mais ou menos isto que recebemos, no final da conta.

Em uma profissão nem tão genérica, a cirurgiã Gabrielle (Drucker) está no topo da carreira, e tem todas as dificuldades de uma vida cheia de responsabilidades. No hospital em que trabalha, orçamentos estão ameaçados, as novas turmas de estagiários são descompromissadas e seu principal colaborador, Kamyar (Laurent Capelluto), talvez esteja prestando um pouco mais de atenção nos outros aspectos de sua vida além do trabalho. Em casa, Gabrielle é casada com Henri (Charles Berling), que já tinha dois filhos de outro casamento. Gabrielle os criou junto com o parceiro, mas geralmente sente que seus esforços não são reconhecidos.

Um dia, a arte entra para a vida desta mulher bem racional. Uma escritora chamada Frida (Mélanie Thierry) pede para acompanhar sua rotina no trabalho, para a pesquisa de sua nova obra. Completamente segura de si, Gabrielle começa a se sentir atraída pela escritora, bem mais jovem, uma novidade em sua vida emocional. Neste contraste entre o racional e emocional, a faísca parece afetar sua confiança no resto da vida. Sua mãe idosa (Marie-Christine Barrault) já está perdida no Alzheimer´s, e a relação complicada entre as duas agora carrega toda a dependência física e logística da doença. Kamyar, na outra ponta, requisita alguns meses de licença paternal, deixando-a sem ajuda no hospital.

Não há muito de novo nas tensões de mais este filme francês sobre os pequenos, mas intensos, problemas nas vidas de seus personagens. Seria tudo isso uma punição por seu caso com Frida, pelo menos nas linhas dramáticas da história? Ou seria um caso com Frida justamente o remédio e escape que esta mulher bem-sucedida em estruturas patriarcais realmente precisa? A única subjetividade presente no filme está nos títulos de seus cinco capítulos (o primeiro é algo como “Eu Quero Tudo a Que Tenho Direito”).

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O filme sem prefere evitar exageros estilísticos–sua razão de existir é apresentar tudo com naturalidade, tendo o cuidado de respeitar seus personagens e seus pontos de vista. Quando chega ao final, tenta amarrar todas as suas tensões, mostrando que a vida continua, n´importe quoi.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

Cannes: La Vie d´une Femme, de Charline Bourgeois-Tacquet