Viúvas: novo longa de Steve McQueen com Viola Davis mira no Oscar

Com elenco estelar e a proposta de aliar cinema-pipoca ao lado social da sétima arte, filme é remake de série inglesa de 1983

atualizado 27/11/2018 22:02

As ViúvasTwentieth Century Fox/Divulgação

Está aberta a temporada de oscarizáveis. Não se engane pelo tom de cinema-pipoca do trailer de Viúvas, novo longa-metragem de Steve McQueen. A ideia é mesmo dar a um arquetípico blockbuster uma leitura social aprofundada, característica do diretor. A trama desenvolve, entre tiros e explosões, o drama de quatro mulheres que, ao perderem os maridos criminosos, se veem prestes – e praticamente obrigadas – a executar um grande roubo. O longa estreia nesta quinta-feira (29/11).

O primeiro filme de McQueen sem Michael Fassbender tem como protagonista ninguém menos que Viola Davis. A presença da atriz no elenco atraiu boa parte dos talentos que contracenam com ela, como seu par romântico, Liam Neeson, e o badaladíssimo Daniel Kaluuya, de Corra! (2017). Em entrevista ao jornal americano The New York Times, McQueen parece ter trocado de musa: falou algumas vezes em ter Davis em seu próximo longa.

Questionado sobre por que misturar temas sociais à pipoca, o diretor foi categórico: passou da hora de levar discussões como as de Viúvas ao público de blockbusters. “Como artista, tenho a responsabilidade de atingir o maior número de pessoas possível. Eu não vejo sentido em pregar para convertidos. Precisamos de diálogo ou olharemos apenas para nossos umbigos”, disse McQueen, cujo cinema não é marcado por gêneros, mas por filmes com temáticas específicas, como por exemplo o vício em sexo, no caso de Shame (2011).

“É muito mais que um filme de assalto. Mas, muitas vezes, por causa de Hollywood, os espectadores querem entrar no cinema com pipoca e refrigerante, e simplesmente escapar da vida lá fora. Querem uma história embrulhada para presente. Esse não é nosso trabalho. Nosso trabalho é prover humanidade de maneiras que não acontecem no dia a dia”, afirmou a atriz à publicação.

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Sonho realizado
Para McQueen, filmar Viúvas foi a materialização de uma aspiração adolescente: o diretor lembra-se de assistir, aos 13 anos, à série britânica As Damas de Ouro, história original que inspirou o filme. “Eu me identifiquei imediatamente com aquelas mulheres na tela. Elas estavam sendo julgadas pela sua aparência, consideradas incapazes, algo parecido com como eu era visto enquanto criança negra crescendo na Londres dos anos 1980”, contou ao Times.

As adaptações, é claro, se provaram necessárias para o diretor, que assinou o roteiro com Gillian Flynn, autora conhecida por Garota Exemplar (2014). O seriado se passava na capital britânica e tratava da história de três viúvas, todas brancas, que contratavam uma única mulher negra para ajudá-las a fazer o roubo. A personagem, Bella O’Reilly (Eva Mottley), se mantém em Viúvas como Belle, vivida por Cynthia Erivo.

Para o novo trio de viúvas, os roteiristas optaram por perfis distintos: Veronica (Davis), uma mulher negra e bem-sucedida casada com um homem branco; Alice (Elizabeth Debicki), uma descendente de poloneses criada para depender de homens frequentemente abusivos; e Linda (Michelle Rodriguez), a latina de classe média baixa que batalha para criar os filhos. No meio dessas camadas, a ambientação em Chicago.

Twentieth Century Fox/Divulgação
Ann Mitchell (à direita) foi a protagonista da série original e fez uma ponta no novo longa

De acordo com McQueen, refilmar essa história 35 anos depois é agridoce: a alegria do sonho realizado se choca com a realidade de que, em três décadas, as temáticas do racismo e da violência contra a mulher seguem atuais. Segundo o diretor, “absolutamente nada mudou”.

“Eu sempre digo: e agora? É preciso continuar. Este momento não pode ser simplesmente algo como ‘este é o tempo da raiva feminina, então está na hora de fazermos filmes centrados em mulheres e talvez em alguns artistas negros’. Deveria ter acontecido anos atrás. É como sempre deveria ter sido”, reclama Davis ao falar sobre o impacto do movimento #MeToo na indústria.

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