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Cinema

Um guia para entender Jean-Luc Godard

Retrospectiva do cineasta franco-suíço ocorre no CCBB entre esta quarta (21/10) e 30/11. Passeie pela filmografia do mestre da Nouvelle Vague por meio de suas distintas fases

21/10/2015 05:30
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Um guia para entender Jean-Luc Godard

Tão influente quanto produtivo, o cineasta franco-suíço tem sua obra desbravada por completo na mostra “Jean-Luc Cinéma Godard”. Exibida simultaneamente nos CCBBs de Rio de Janeiro e São Paulo, o painel chega à sede brasiliense nesta quarta (21/10), trazendo 125 títulos. A seleção reúne desde longas, médias e os primeiros curtas-metragens a trabalhos televisivos, publicitários e vídeo-cartas.

A extensão da obra do eterno mestre da Nouvelle Vague levou três anos para ser percorrida pela curadoria, organizada pelo produtor e também cineasta Eugenio Puppo (de “Sem Pena”). “Cerca de 97% dos filmes vieram da França. Fui a Paris e tive reuniões com 16 distribuidoras e instituições para reunir o conjunto da obra”, descreve.

Veja trechos de filmes de Jean-Luc Godard:

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Inéditos no Brasil
Além de clássicos absolutos como “Acossado” (1960) e “O Demônio das Onze Horas” (1965) e do recente “Adeus à Linguagem” (2014), a retrospectiva exibe dois títulos pela primeira vez no país.

No curta “Salve a Vida (Quem Puder)” (1979), ele combina passagens do longa “Salve-se Quem Puder (A Vida)” (1980) com sequências de quatro filmes de outros diretores. Outra raridade é o episódio perdido da série de TV “Seis Vezes Dois” (1976), em que ele e sua então esposa, Anne-Marie Miéville, entrevistam personalidades.

DECIFRE GODARD – POR MEIO DELE MESMO

O repertório inventivo do diretor pode soar intelectual demais para os não cinéfilos. Mas não é bem assim. Mergulhar na obra de Godard demanda critério: é preciso usar as chaves certas – em certas épocas – para entender porque ele influenciou tanta gente, do brasileiro Rogério Sganzerla ao megapop Quentin Tarantino.

Navegue pela obra de Godard por meio de três fases distintas:

1 – Nouvelle Vague
Um dos fundadores do movimento revolucionário ao lado de Claude Chabrol, Éric Rohmer, François Truffaut e Jacques Rivette, Godard inovou ao reler e subverter a Hollywood clássica. Ele trouxe elementos como o jump cut (um corte que “salta” dentro de um plano).

“Acossado” (1960)
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Espécie de filme inaugural da Nouvelle Vague ao lado de “Os Incompreendidos” (1959), a estreia de Godard em longas é um exercício de rebeldia narrativa dentro do gênero noir e colagem pop. Jean-Paul Belmondo interpreta um procurado pela polícia que tenta fugir ao lado de uma estudante norte-americana (Jean Seberg).

“Uma Mulher É uma Mulher” (1961)
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O primeiro trabalho colorido de Godard é um tributo à tradição dos musicais de Hollywood. Anna Karina vive uma stripper com vontade de ter um bebê. O namorado não topa e ela recorre ao amigo dele (Jean-Paul Belmondo).

“O Demônio das Onze Horas” (1965)
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Ao narrar (de novo) a louca escapada de um sujeito (Jean-Paul Belmondo) e sua igualmente febril companheira (Anna Karina), Godard aqui se filia à pop art por meio de visuais cartunescos e narrativa de verve paródica.

2 – Godard político e (anti-)televisivo
Movido pelas revoluções de maio de 1968, o cineasta empreendeu uma jornada de militância e intenso experimentalismo (na TV e na publicidade) até o fim da década de 1970. Ao lado do intelectual Jean-Pierre Gorin, fundou o coletivo Dziga-Vertov.

“Vento do Leste” (1969)
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Um dos frutos do coletivo Dziga-Vertov, o filme-ensaio propõe um debate sobre revolução e cinema. O cineasta brasileiro Glauber Rocha (foto acima) aparece em uma das cenas do longa.

“France/Tour/Detour/Deux/Enfants” (1977)
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Além de “Seis Vezes Dois” (1976), ele produziu outra série com sua então esposa, Anne-Marie Miéville. Nos 12 episódios, o casal desconstrói a estética televisiva por meio de elementos utilizados pela própria mídia, como chamadas, clipes e reportagens.

3 – Godard filósofo
Do fim da década de 1980 em diante, o cineasta desenvolve uma trajetória baseada em trabalhos ensaísticos e reflexivos sobre o cinema, a arte e a própria carreira. É a fase mais imersiva e difícil do franco-suíço.

“História(s) do Cinema” (1988-1998)
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A partir de sua experiência prévia com trabalhos televisivos, Godard organiza um tratado sobre a história do cinema por meio de interpretações pessoais e citações de filmes. Obras-primas como “Paraíso Infernal” (1939), de Howard Hawks, e “Janela Indiscreta” (1954), de Alfred Hitchcock, integram a colagem.

“Filme Socialismo” (2010)
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Um cruzeiro zarpa pelo Mediterrâneo carregando gente de diferentes origens e línguas. Por meio dessa multidão de vozes, o diretor discute temas como a história da civilização ocidental e seus ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

“Adeus à Linguagem” (2014)
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Após dirigir um segmento em 3D para a antologia “3x3D” (2013), o autor rodou um longa inteiro em três dimensões. Na história, um cachorro observa um casal numa casa a conversar sobre a linguagem, enquanto questionamentos existenciais ou sobre a própria narrativa surgem na tela. Causou tanta curiosidade que chegou a ficar uma semana em cartaz no Cinemark Pier 21.

De quarta (21/10) a 30/11, no Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Esportivos Sul, trecho 2, lote 22, 3108-7600). Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia). A classificação indicativa varia de acordo com os filmes. Consulte a programação.