Redescubra a obra de Agnès Varda, vencedora de Oscar honorário
A cineasta de 89 anos acaba de receber um Oscar honorário e entra para a história como a primeira mulher a receber a honraria

Consagrada no circuito de cinema independente, a obra da diretora Agnès Varda, de “Cléo das 5 às 7” (1962), está em processo de redescoberta por uma nova geração de cinéfilos. Seu estilo de cinema, guiado pela espontaneidade de estilo e linguagem, é reconhecido como uma das linguagens cinematográficas mais inventivas da produção contemporânea.
A última instituição a reconhecer a potência da voz de Agnès Varda dentro da sétima arte foi a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. A cineasta belga foi agraciada com um Oscar honorário pelo conjunto da obra entregue pelas mãos da atriz Angelina Jolie em cerimônia realizada no domingo (13/11), em Los Angeles, Estados Unidos.
Conheça alguns dos filmes de Agnès Varda:
Varda antecipou várias das tendências cinematográficas em voga no cinema contemporâneo. Foi uma das primeiras diretoras a dar voz às mulheres na sétima arte. A linguagem livre apresentada em seus filmes apresenta uma realizadora sem amarras que nunca se incomodou em atuar como personagem nos próprios trabalhos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSem financiamento, Varda realizou películas com pouco dinheiro e nunca se importou em dirigir curtas mesmo depois de assinar vários títulos de longa-metragem. Realizou ficções e documentários nos quais sempre se reconhece sua assinatura inconfundível, consagrando a subjetividade do narrador em trabalhos sobre temas tão variados quanto a emancipação feminina ou o processo de envelhecimento da própria cineasta.
Nascida na Bélgica em 1928, mas radicada na França, Varda começou a carreira como fotógrafa. Notabilizou-se como a única mulher entre os chamados “jovens turcos” do cinema francês. Apesar de haver participado de alguma forma da revolução proposta por Jean-Luc Godard e François Truffaut nos anos 1960, Varda se aproximava mais do cinema praticado pelo amigo Chris Marker (“Sem Sol” e “La Jetée”) e Jacques Demy (“Os Guarda-Chuvas do Amor” e “Pele de Asno”).
https://youtu.be/RlPs2rCLVGw
Demy foi companheiro de Varda por muitos anos até seu falecimento em 1990 e é pai de Mathieu Demy e Rosalie Varda-Demy. “Vissages, Villages”, mais recente longa de Varda, coassinado por JR, foi exibido no Brasil durante a Mostra de Cinema de São Paulo e espera-se que entre no circuito brasileiro em dezembro.
Na cerimônia de premiação em Hollywood no último domingo (13/11), Varda reconheceu as qualidades do próprio trabalho:
“Diria que recebi amor e reconhecimento porque tentei fazer com que o meu trabalho capturasse a essência do cinema buscando diferentes estruturas. Em ‘La Pointe Courte’, narração dupla. Em ‘Clèo das 5 às 7’, tempo real. Em ‘Os Renegados’, a busca por travellings contínuos e descontínuos. Em ‘Jane B. por Agnès V.’, cada retrato é um quebra-cabeça no qual faltam peças. Também tentei contar histórias com atores e não atores e voltei à escola da modéstia que é o documentário, por exemplo com ‘Os Catadores e Eu”.
Depois do discurso, a belga quebrou a caretice da cerimônia numa valsa improvisada no palco com a atriz Angelina Jolie. “É um grande evento, muito sério, foi organizado para celebrar os homenageados, temos uma salão cheio de talentos do cinema, tivemos duas estrelas, Angelina (Jolie) e Jessica (Chastain), como meus anjos da guarda feministas. Foi um grande evento, muito sério, cheio de significado e peso. Mas sinto que, entre o peso e a leveza, escolho a leveza”, afirmou antes de convidar Jolie para um baile.













