“Os Dez Mandamentos” não está sozinho. O cinema gospel tem fisgado a atenção dos fiéis nos últimos anos
Previsto para estrear em 28/1, o filme baseado na novela da Record deve atrair milhões de espectadores aos cinemas. Produtos americanos também têm feito sucesso no país
atualizado
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Pessoas em crise de fé, reverendos professorais e mensagens de fundo cristão. Assuntos que parecem saídos de um sermão dominical também têm aparecido em produções cinematográficas. O fenômeno atual no Brasil é a novela “Os Dez Mandamentos”, sobre a saga de Moisés.
Canal que abriga o programa, a Record aproveitou a audiência para enxertar cenas inéditas, um novo final e produzir um filme a partir da primeira temporada. O longa-metragem chega às telas em 28/1, com 2 milhões de ingressos vendidos na pré-venda e estreia prevista em mais de 1 mil salas.
“Os Dez Mandamentos – O Filme” surge com porte e pompa de blockbuster, com o benefício da intensa divulgação catalisada por bispos da Igreja Universal, muito influentes na emissora. Mas o sucesso do cinema gospel não é um caso isolado.
Antes reservadas ao mercado das locadoras, produções cristãs têm aparecido com frequência nas telas nacionais. Nos últimos dois anos, três filmes americanos e um nacional levaram temáticas religiosas ao público – veja detalhes mais abaixo.
O mais popular desse nicho é “Deus Não Está Morto” (2014): realizado com orçamento de US$ 2 milhões, rendeu US$ 62,6 milhões nas bilheterias mundiais. O lucro estimulou uma gananciosa continuação, que discute até a constituição dos Estados Unidos:
Entre a propaganda e a fé
A boa recepção no meio evangélico pode ser explicada pela proximidade do público com os temas narrados pelos filmes. “Deus Não Está Morto” acompanha os debates entre um universitário cristão e um professor de filosofia ateu.
Católica, Leidiane de Souza admira a mensagem defendida pelo longa. “Ele nos apresenta uma bela reflexão sobre o que realmente deve ser valorizado em nossas vidas e sobre até que ponto devemos abrir mão de nossas crenças pelos outros”, diz a professora de história, de 26 anos.
Mas a óbvia sintonia das produções com o público-alvo pode afastar certos fiéis. Cineasta recém-formado pelo Iesb, Vinicius Rosa considera que esses filmes conversam no “evangeliquês”. “No Brasil há uma segmentação muito forte do público crente. Quem tem a cabeça mais fechada acaba procurando esses produtos. E a indústria se aproveita disso também, com um marketing muito forte”, analisa o cristão, de 23 anos.
Ele credita o sucesso de “Os Dez Mandamentos” à carência do público por programas amigáveis à religião. “A história é bem fiel à Bíblia”, diz. “Mesmo sendo inferior às novelas da Globo, por exemplo, traz algo aceitável para o público gospel”, completa.
O CINEMA GOSPEL EM QUATRO TÍTULOS RECENTES
“Deus Não Está Morto” (2014)
Os conflitos entre um professor de filosofia e um universitário cristão formam a sintonia perfeita para o público jovem. O filme é o trabalho mais popular da produtora Pure Flix Entertainment, especializada no segmento evangélico. Na sequência, os papéis se invertem: uma professora fala de Jesus em sala de aula e vai parar no tribunal, discutindo os preceitos do estado laico.
“Metanoia” (2015)
Com elenco formado por atores da Cia. Nissi, de São Paulo, o drama narra o desespero de uma mãe que tenta salvar o filho da dependência do crack. Ambientado na periferia da metrópole, o longa ainda reúne interpretações de Solange Couto e Caio Blat.
“Quarto de Guerra” (2015)
Conhecidos por “Desafiando Gigantes” (2006) e “À Prova de Fogo” (2008), hits no meio gospel, os irmãos Alex e Stephen Kendrick assinam seus filmes pela produtora Sherwood Pictures, fundada por Alex. Em cartaz, “Quarto de Guerra” narra as angústias de uma família que recorre a uma líder espiritual para solucionar os conflitos domésticos.
“Você Acredita?” (2015)
Outro produto da Pure Flix, o drama segue a cruzada de um pastor decidido a tocar a vida das pessoas com testemunhos religiosos. Para o público não evangélico, o filme chama a atenção pela quantidade de rostos conhecidos – e que andam sumidos de grandes títulos de Hollywood: Mira Sorvino (“Poderosa Afrodite”), Sean Astin (“O Senhor dos Anéis”), Delroy Lindo (“Regras da Vida”) e Cybill Shepherd (“Taxi Driver”).
