“O Último Caçador de Bruxas” almeja ar épico, mas não sai do convencional
Uma das estreias desta quinta (29/10), filme de ação traz Vin Diesel no papel de um justiceiro imortal que tenta evitar uma nova peste negra
atualizado
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A cara e a marra da franquia “Velozes e Furiosos”, Vin Diesel também carrega outras sagas nas costas. Além de três filmes no papel do anti-herói espacial Riddick, o ator encarnou um atleta de esportes radicais recrutado pelo governo em “Triplo X” (2002). Ele deve retomar o personagem num terceiro longa, ainda em pré-produção. Agora, o astro tenta emplacar um justiceiro sobrenatural em “O Último Caçador de Bruxas”.
Numa abertura friorenta à la “Game of Thrones”, Diesel surge barbudo ao lado de outros soldados medievais. Sobreviventes da peste negra, os membros do pelotão avistam uma árvore algo mágica. Meia dúzia de lutas de espadas flamejantes depois, Kaulder (Diesel) acredita ter matado a Rainha Bruxa (Julie Engelbrecht), entidade máxima do mal. Mas, antes de desfalecer, ela o amaldiçoa com o dom da eternidade.
A partir daí, o diretor Breck Eisner salta para o futuro e acompanha um Kaulder bem de vida, com carrão e apartamento. Apoiado por gerações de padres-guardiões conhecedores (os Dolans) de sua perene missão e um tribunal de bruxos que julga e pune os seres que aplicarem mágica nos humanos, o soldado se tornou um vingador temido por feiticeiros, mas desconhecido pelas pessoas comuns.
Mais uma mitologia à procura de adeptos
Eisner não tem a mesma habilidade de David Twohy, o bom diretor da saga “Riddick”, e aposta numa operação simples ao somar cenas de ação e mitologia. A solidão de Diesel se intensifica quando o 36º Dolan (Michael Caine) morre, aparentemente assassinado por obra de bruxaria. A pressa de Eisner em levar a narrativa adiante logo soluciona o problema, com a entrada do 37º Dolan (Elijah Wood).
Obviamente, a Rainha Bruxa está prestes a retornar e ameaçar o planeta com outra peste. A tentativa de aproximar Kaulder do mundo dos bons bruxos também soa meramente funcional. Chloe (Rose Leslie, de “Game of Thrones”) dirige um pub e sabe fabricar poções mágicas. Não por acaso, as receitas são úteis para a jornada de Kaulder em busca de respostas.
Entre maldições e diálogos explicativos sobre a confusa mística que envolve o herói, Eisner até encontra suporte na simpatia de Diesel – quase sempre um intérprete de si mesmo. Dentro do adorado subgênero nerd sword and sorcery (espada e feitiçaria, na tradução), “O Último Caçador de Bruxas” supera bobagens recentes, como os dois “Fúrias de Titãs” e a genérica refilmagem de “Conan, o Bárbaro”. O ar de reprise, porém, abafa qualquer possível gesto de novidade.
Avaliação: Regular
Veja horários e salas de “O Último Caçador de Bruxas”.