Mostra de Abbas Kiarostami começa nesta quarta (4/5), no CCBB
Retrospectiva reúne obra completa do diretor iraniano, incluindo curtas-metragens, documentários e longas consagrados como “Close-up” (1990), “Gosto de Cereja” (1997) e “Cópia Fiel” (2010)
atualizado
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Quando o assunto é filme iraniano, fala-se de Abbas Kiarostami ou Jafar Panahi, dois dos diretores mais importantes da história do país. Cultuado por trabalhos contemplativos e reflexões sobre cinema, o primeiro tem sua obra completa revisitada na retrospectiva “Um Filme, Cem Histórias”. A mostra começa nesta quarta (4/5), no CCBB, e segue até o dia 23/5.
Forjado na segunda geração da chamada Nova Onda Iraniana, espécie de Nouvelle Vague do país, Kiarostami começou a repercutir no cinema contemporâneo a partir do fim dos anos 1980. Além de exibir os longas desse período, a mostra reúne raros curtas-metragens, títulos de não ficção pouco celebrados e dois documentários sobre o realizador. Um total de 28 filmes, sendo 13 em película.
https://www.youtube.com/watch?v=pFBxthT3KP4
Reflexões de um cinema contemporâneo
Desde que rodou “Close-up” (1990, vídeo acima), um incomparável filme sobre os limites entre documentário e ficção, Kiarostami ergueu uma carreira de obras que lidam com a experiência do olhar.
Planos refletidos em vidros e espelhos e cenas ambientadas no interior de veículos formam um cinema que se inspira nele mesmo para falar sobre vida urbana, memória e histórias tão reais quanto inventadas.
O iraniano levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes por “Gosto de Cereja” (1997) e até se permitiu sair do país nos seus últimos longas, “Cópia Fiel” (2010), feito na Itália, e “Um Alguém Apaixonado” (2012), filmado no Japão.
Entre esses dois períodos, o diretor elaborou um urgente retrato sobre a situação das mulheres iranianas em “Dez” (2002), em que uma motorista dirige por Teerã enquanto conversa com personagens cotidianos.
A CLASSE DE KIAROSTAMI EM TRÊS FILMES

“Close-up” (1990)
No filme mais celebrado de Kiarostami, um sujeito finge ser o cineasta Mohsen Makhmalbaf e invade a vida de uma família rica de Teerã prometendo papéis em seu próximo filme. O diretor convoca personagens reais e reencena passagens para fabricar uma inquietante e belíssima obra sobre o próprio cinema e seus artifícios.

“Cópia Fiel” (2010)
No primeiro filme fora do Irã, Kiarostami fez seu trabalho mais popular. Um escritor britânico (William Shimell) e uma mulher francesa (Juliette Binoche) se conhecem na Toscana (Itália). O contato recente logo se desdobra para um relacionamento permeado por rusgas do passado. Reflexão sobre arte e memória a partir de simples caminhadas e conversas.

“Um Alguém Apaixonado” (2012)
Quase uma sequência “espiritual” de “Cópia Fiel”. Mesmo sem falar nadinha de japonês, Kiarostami foi ao oriente rodar seu tributo máximo a Yasujiro Ozu, um de seus maiores mestres. Uma jovem prostituta tem encontro marcado com um viúvo. Com astral inspirado pela canção de jazz “Like Someone In Love”, famosa na voz de Ella Fitzgerald, o diretor entrega algumas de suas imagens mais cerebrais e melancólicas.
Um Filme, Cem Histórias – Abbas Kiarostami
Quarta (4/5) a 23/5, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB, Setor de Clubes Esportivos Sul, trecho 2, conjunto 22, 3108-7600). R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Debate no dia 19/5, às 21h. Classificação indicativa varia de acordo com os filmes. Programação completa no site do CCBB.
