Gêmeos aprontam o terror em “Boa Noite, Mamãe”
Horror austríaco narra o estranhamento de dois irmãos com a mãe, em recuperação de uma cirurgia plástica na face
atualizado
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Mais recente hit do terror europeu, “Boa Noite, Mamãe” vem gerando certo burburinho pela maneira extrema como trata a relação de dois irmãos gêmeos com a mamãe do título. A suposta docilidade serve exatamente para desarmar certas expectativas. Afinal, são os filhos que colocam a matriarca para dormir. O longa representou a Áustria na corrida pelo Oscar de melhor filme estrangeiro, mas não chegou a ser indicado.
Mutter (Susanne Wuest), a mãe, é apresentada da maneira mais sinistra possível: com o rosto coberto por curativos que só deixam espaço para que ela respire, veja e fale com os gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz). Após passar por uma intrusiva cirurgia plástica na face, Mutter levou os filhos para morar numa nova casa à beira de um bosque, bucólica e sombria.
Terror de tortura: atalho fácil
A premissa desenvolvida pela dupla Veronika Franz e Severin Fiala parte do estranhamento das crianças em relação à mãe. Os garotos desconfiam que ela é, na verdade, uma impostora. Esses elementos todos compõem um clima de invasão familiar, com uma sensação sempre presente de aprisionamento e pressão psicológica.
O que impede “Boa Noite, Mamãe” de se desenhar como um bom filme é o tratamento estético de parcas soluções visuais e o roteiro a correr em círculos. Há um realismo um tanto bobo na superfície da trama, com cenas tão sofisticadas quanto vazias de sentido dramático.
Assim que o conflito entre mãe e filhos é estabelecido, os diretores investem em já gastos clichês de filmes de tortura, com uma cena sangrenta e explícita atrás da outra. A proposta de chocar a todo custo pode até funcionar para um público mais sensível, mas aborrecer quem espera mais sugestão e menos exposição.
Avaliação: Regular
Veja horários e salas de “Boa Noite, Mamãe”.
