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Menos conhecido pelos brasileiros do que deveria, o sul-coreano Bong Joon-ho acumula alguns dos títulos mais inventivos da década de 2000. Com humor autêntico e espertas apropriações do cinema de gênero, rodou os filmaços “O Hospedeiro” (2006) e “Memórias de um Assassino” (2003). E ele não faz concessões em seu primeiro longa falado em inglês.

Baseado na graphic novel francesa “Le Transperceneige”, de Jacques Lob, “Expresso do Amanhã” (2013) tem em seu benefício a sempre popular onda pós-apocalíptica. Ao contrário da maioria, no entanto, o filme borra os limites entre comédia, fantasia e ficção científica numa trama pulsante. A começar pela ambientação.

Um trem chamado Snowpiercer (título original do filme) viaja pelo planeta numa jornada infinita. Em seus vagões, moram os sobreviventes de um experimento catastrófico, planejado para conter o aquecimento global. A iniciativa acabou lançando a terra em uma nova era glacial.

Divisão de classes
Esse microcosmo da humanidade também reproduz aquilo que ela tem de pior. Um severo sistema de classes sociais divide os remanescentes a bordo: os primeiros vagões abrigam os mais ricos, sobretudo Wilford (Ed Harris), o ditador; os últimos aprisionam os pobres. Um deles é Curtis, vivido por Chris Evans (o Capitão América da Marvel/Disney).

A já esperada insurreição aqui delineada ganha contornos cada vez mais absurdos e belos assim que o nosso herói monta sua liga de rebeldes. Edgar (Jamie Bell), Tanya (Octavia Spencer), Gilliam (John Hurt) e Namgoong (Song Kang-ho, habitué do diretor) juntam-se a Curtis.

Na travessia rumo ao primeiro vagão – e, quem sabe, ao que resta do mundo lá fora –, Joon-ho constrói universos fechados em cada uma das seções. Uma exuberância digna do melhor sonho – ou do pior pesadelo.

Com mais orçamento (US$ 40 milhões) do que de costume, o cineasta conduz uma fábula linear, vagão a vagão, sem soar simplista. Seria árduo encontrar nos alardeados megalançamentos da Marvel e da DC tanta diversão e provocação como em “Expresso do Amanhã”.

 

 

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