Ex-moradora de rua, brasileira Carolla Parmejano disputa Oscar da dublagem

Radicada nos EUA há mais de 15 anos, atriz concorre na categoria Dubladora Internacional no Society of Voice and Arts of Science 2020

atualizado 27/11/2020 21:50

Carolla ParmejanoDivulgação

A história da atriz Carolla Parmejano daria um roteiro de filme, daqueles inspiradores, como À Procura da Felicidade, com o astro Will Smith. Ainda jovem, ela saiu do Brasil em busca do tão falado sonho americano. Morou na rua, trabalhou em subempregos, voltou a estudar e venceu todas as dificuldades. Hoje, a paulistana é a única brasileira a concorrer a um prêmio no Society of Voice and Arts of Science 2020, considerado o Oscar da dublagem.

“O maior e melhor reconhecimento para quem está desse lado do entretenimento que nem sempre é reconhecido. Essa premiação nos leva a outro nível como profissionais”, afirma a brasileira.

Dra. Choo
Carolla concorre na categoria Dubladora Internacional pelo trabalho como Dra. Choo, na animação Death Space After Math
Das ruas a Hollywood

Aos 8 anos, Carolla já tinha certeza do que seria quando adulta e, aos 13, formou-se em Artes Cênicas e Cinema no renomado Teatro Escola Macunaíma, em São Paulo. Aos 19, após o que era para ser apenas uma temporada nos Estados Unidos, decidiu não mais voltar. “Já não aguentava mais o bullying da escola e faculdade, então resolvi buscar uma vida nova”, lembra. Começou trabalhando em um restaurante, no estado de Maryland, tudo de forma legal, até seu visto de seis meses expirar.

De lá, Carolla partiu para a Flórida e, sem dinheiro para bancar os altos valores dos hotéis, morou nas ruas. “Não foi fácil, mas tive o apoio de pessoas que aparecem, do nada, nas nossas vidas. Anjos que nos ajudam sem querer nada em troca, sabe?”, conta a dubladora. E foi graças a um desses benfeitores que a brasileira conseguiu um estúdio para ficar. “Aí começou a minha nova vida”, ressalta.

“Na hora da sobrevivência todos os empregos são bem-vindos”. Com esse pensamento, Carolla conseguia garantir seu sustento com atividades como babá, garçonete, recepcionista, servente e faxineira, entre outros. “O de babá foi o mais fácil. Adoro criança, brincar, ensinar, ajudar. A alma da criança é diferente da nossa, é pura, honesta, positiva… teve até uma casa em que os pais só me pediam para falar espanhol, assim eu poderia ensinar a eles outro idioma”, recorda.

Carolla Parmejano de vestido azul
Carolla Parmejano superou dificuldades e realizou o sonho de viver da arte

Certo dia, enquanto trabalhava como animadora infantil em uma festa de criança, a maneira que manipulava os fantoches e marionetes chamou atenção. “Eu fazia vozes diferentes para imitar os bichos e o pai de uma das convidadas veio me perguntar se eu teria interesse em trabalhar com minha voz. No começo achei bem estranho, mas depois fui até o estúdio e fiquei impressionada com o mundo da dublagem”, afirma.

Carolla então estudou e aperfeiçoou o talento. As oportunidades foram surgindo naturalmente, enquanto a dubladora ganhava fama nos bastidores de Hollywood. Entre os principais trabalhos de dublagem estão a professora Pavlova, na novela teen Chica Vampiro, a Ângela, do filme Why Did I Get Married, e Dra. Choo, na animação Death Space After Math, pelo qual concorre ao prêmio da Society of Voice and Arts of Science 2020, na categoria Dubladora Internacional.

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De volta ao Brasil

Enquanto a carreira de dubladora deslanchava, Carolla seguiu galgando espaço também em frente às câmeras. O mais recente papel é no filme Solteira Quase Surtando, de Caco Souza, com Mina Nercessian, Tânia Khalill e Dani Valente no elenco. “Foi muito lindo e delicado gravar no Brasil. Eu tinha receio de que nada que eu fizesse no meu país poderia dar certo. Achei que seria frustrante, ruim. Mas o universo me ensinou a confiar e trabalhar nessa produção foi magnífico e esperançoso. Estar entre atores globais e tão talentosos foi mesmo um orgulho para mim”, conta a atriz que deu vida à Tati, melhor amiga da protagonista, que também busca um marido.

A atriz chegou a voltar ao Brasil para o lançamento da comédia romântica, mas pouco menos de uma semana depois, os casos de Covid-19 aumentaram e os cinemas foram fechados. “Foi uma grande surpresa. Do dia para a noite tudo parou. Até hoje tem muitas pessoas me perguntando sobre o filme, quando poderão assistir”, diz sobre o baque da pandemia.

Contudo, nem a quarentena foi capaz de interromper os projetos de Carolla Parmejano, que tem aproveitado o tempo para estudar. “Quero usar meus três idiomas e viajar o mundo gravando séries, videogame, novela, filme e, quem sabe, até teatro. Plantei muitas sementinhas este ano, e o futuro espero que seja um jardim cheio de flores”, conclui a atriz e dubladora.

 

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