Estreante em Hollywood, brasileiro Afonso Poyart fala como foi dirigir Anthony Hopkins em “Presságios de um Crime”
Autor de “2 Coelhos” (2011), santista avalia primeira experiência no cinema americano como “difícil, mas agradável”. Longa ainda conta com Colin Farrell, Abbie Cornish e Jeffrey Dean Morgan
atualizado
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Um novato na indústria de cinema americana, o paulista Afonso Poyart teve que chegar de mansinho no set de “Presságios de um Crime”, seu primeiro longa em Hollywood. Previsto para estrear nesta quinta (25/2) no Brasil, o suspense de fundo sobrenatural é protagonizado por Anthony Hopkins, o veterano astro de “O Silêncio dos Inocentes” (1991). O cineasta avalia a primeira experiência nos Estados Unidos como “difícil, mas agradável”.
“Existe uma parcela de confiança que o ator precisa ter no diretor. E isso se conquista devagar”, diz Poyart. “Mas a gente também tem que chegar com ponto de vista forte. O ator gosta de ter segurança de que não vai parecer ridículo, que sua imagem não será deturpada”, completa.
O cineasta teve contato próximo com Hopkins em praticamente todos os 30 dias de filmagem. O britânico interpreta um médium que volta a trabalhar para o FBI quando um novo serial killer está à solta. O assassino, vivido por Colin Farrell, também tem dons sobrenaturais. “Cada um tem seu estilo. O Colin chegou nas duas últimas semanas. É muito profissional”, descreve o realizador santista, de 37 anos.
Estética pop x pouco espaço para improviso
Poyart é mais conhecido no Brasil por ter dirigido “2 Coelhos” (2011), um filme de ação com Alessandra Negrini, Caco Ciocler e Fernando Alves Pinto. A chance de circular por Hollywood chegou em velocidade supersônica. Agente de Isis Valverde e Wagner Moura, o americano Brent Travers tinha um elo em comum com Poyart: trabalhava com o comediante Rafinha Bastos, amigo do diretor.
Quatro meses após “2 Coelhos”, por intermédio de Travers, Poyart já conhecia o mercado americano a ponto de ser contratado para realizar “Solace”, título original de “Presságios”. Assim que assumiu o projeto, o cineasta e publicitário de formação sentiu as diferenças entre os dois países.
O cinema lá é bem mais estruturado. Cada filme é uma empresa, com uma burocracia chata, às vezes. Não é linha de produção totalmente imutável. Mas eles ficam mais assustados com improvisos
Ouvindo palpites sobretudo dos produtores, Poyart ainda assim teve espaço para emplacar sua estética pop e estilizada. “Me chamaram por isso”, reforça. “Para inventar no visual, sempre tive apoio absoluto. Galera não fica com medo, não”.
A liberdade só esbarrou nas próprias limitações de quem ainda está dando os primeiros passos em Hollywood. Poyart, como vários estreantes, não teve direito ao corte final. “Digo que o filme é 70% meu. Os outros 30% tive que negociar com tudo, a parte financeira, os produtores”, calcula.
No mais, ele acabou discordando um pouco de como o longa vem sendo vendido – um thriller de crime elevado pela presença ao mesmo tempo sombria e carismática de Hopkins. “Acho que o filme tinha que assumir uma coisa mais alternativa, forçar a mão numa cara diferente. Eles (produtores) achavam que o filme tinha que acertar algumas notas desse gênero de crime”.
Veja galeria de fotos de “Presságios de um Crime”:
Futuro em Hollywood, José Aldo e Bateau Mouche
O brasileiro sentiu falta de um “componente empírico, de intuição”. O orçamento modesto – “apenas” US$ 28 milhões – o obrigou a trabalhar rápido e administrar as restrições financeiras. “Não tinha dinheiro para nada. Nisso, senti dificuldade”, aponta. “Lá tem marketing, trailer. O dinheiro escoa nessas coisas. Aqui no Brasil, não temos isso. Usamos tudo no filme”.
Poyart compara o método de produção com o de seu novo longa, “Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo”, cinebiografia sobre o lutador do UFC que deve estrear até o meio do ano. “Os R$ 7 milhões dele pareciam maiores que os US$ 28 milhões de lá. Nos EUA, filmei em 30 dias. Aqui, em 50”, compara.
A experiência terminou da maneira ideal, com uma ligação de Hopkins elogiando “Presságios de um Crime”. Na próxima vez, Poyart quer controlar o projeto desde o início, associando-se a produtores de lá. “Antes, talvez tenha que entrar em outro filme como diretor”, reflete.
O cineasta, porém, não tem pressa. Cuida da finalização da cinebiografia de José Aldo enquanto vislumbra outros dois trabalhos: um que pretende levar para os EUA, sobre o qual prefere não entrar em detalhes, e outro já garantido pela distribuidora Paris Filmes, sobre o desastre do iate Bateau Mouche em 1988, em Copacabana.









