Dark Horse: filme de Bolsonaro pode ser o mais caro da história do Brasil
Filme sobre Jair Bolsonaro pode ter recebido de Daniel Vorcaro mais do que o custo total de vários longas nacionais e internacionais
atualizado
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O filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro envolvida em denúncias de financiamento ligado ao empresário Daniel Vorcaro, pode se tornar um dos projetos mais caros já associados ao cinema brasileiro. Segundo registros divulgados pelo The Intercept Brasil nesta quarta-feira (13/5), o ex-CEO e dono do Banco Master teria se comprometido a repassar US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões na cotação da época — para financiar a produção.
Levantamento feito pelo Metrópoles mostra que, apesar de Dark Horse ser uma produção norte-americana, o valor supera com ampla margem o orçamento de grandes produções brasileiras e até de cinebiografias internacionais recentes.
Para efeito de comparação, O Agente Secreto, indicado ao Oscar 2026, teve orçamento estimado em R$ 28 milhões. Já Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025, custou cerca de R$ 45 milhões.
Outro exemplo é Corrida dos Bichos (The Animal Race), animação prevista para estrear em 2026. Com orçamento estimado em US$ 5 milhões — aproximadamente R$ 25 milhões —, o longa já vinha sendo tratado como uma das produções mais caras da retomada do cinema nacional iniciada na segunda metade da década de 1990.
Entre os filmes brasileiros de maior orçamento da história, Nosso Lar (2010) segue como uma das principais referências, com custo estimado em R$ 20 milhões. Na época, o valor foi considerado excepcional para os padrões do cinema nacional, principalmente pelos investimentos em efeitos especiais e pós-produção internacional.
Outro caso emblemático é Lula, o Filho do Brasil (2010), que teve orçamento oficial de cerca de R$ 17 milhões. O longa chamou atenção por ter sido financiado integralmente pela iniciativa privada, sem uso de leis de incentivo fiscal.
Já Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010) custou aproximadamente R$ 12,5 milhões — valor que chegou perto de R$ 16 milhões ao considerar despesas de distribuição e medidas de combate à pirataria. Mesmo com orçamento inferior ao de outras superproduções nacionais, o filme se tornou um dos maiores sucessos de bilheteria da história do país.
Até produções internacionais ligadas ao Brasil aparecem abaixo do valor associado a Dark Horse. O premiado Me Chame Pelo Seu Nome, coprodução entre Brasil, Estados Unidos, França e Itália vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Adaptado, teve custo estimado em US$ 3,4 milhões.
A diferença chama atenção também quando comparada a produções estrangeiras de temática semelhante. O Aprendiz (2024), cinebiografia inspirada na trajetória de Donald Trump, teve orçamento estimado em US$ 16 milhões — cerca de R$ 90 milhões na cotação da época, valor ainda inferior ao que teria sido negociado para Dark Horse.

As informações sobre o financiamento do longa foram reveladas pelo The Intercept Brasil, que divulgou mensagens, áudios e registros de transferências envolvendo Daniel Vorcaro e o senador Flávio Bolsonaro. Segundo a reportagem, o empresário teria concordado em investir os US$ 24 milhões no projeto cinematográfico sobre o ex-presidente.
Dirigido por Cyrus Nowrasteh, Dark Horse acompanha os bastidores da campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, incluindo o atentado sofrido pelo então candidato durante um comício em Juiz de Fora (MG). Jim Caviezel, conhecido por interpretar Jesus Cristo em A Paixão de Cristo, viverá Bolsonaro no filme. A previsão de estreia é setembro de 2026.

















