Crítica: Os Incríveis 2 atualiza super-heróis com dilemas de família

Sequência volta a ter direção e roteiro de Brad Bird e acompanha os embates da Mulher Elástica contra o vilão Hipnotizador

Disney/Pixar/DivulgaçãoDisney/Pixar/Divulgação

atualizado 29/06/2018 10:08

Em Os Incríveis 2, combater o mal sempre fica mais descomplicado quando é possível lutar em família. Em uma cena crucial da animação, Violeta, a filha adolescente da Mulher Elástica e do Sr. Incrível, diz para a mãe: “Vai! A gente dá conta”.

Diretor e roteirista do original e da continuação, Brad Bird atualiza dilemas de família enquanto propõe uma nova configuração para o cinema de super-heróis por meio de ações cooperativas.

 

É preciso que o Sr. Incrível assuma os afazeres domésticos, como os cuidados com Zezé, por exemplo, para que a mulher exerça um papel de importância universal: liderar os super-heróis numa época em que eles ainda buscam respeito, dignidade e uma legislação que os permita trabalhar.

Pouco tempo após os eventos de Os Incríveis (2004), surge uma oportunidade única de redenção para os mascarados quando os irmãos bilionários Winston e Evelyn Deavor, da empresa de telecomunicações Devtech, propõem restaurar o prestígio dos vigilantes e pressionar as autoridades para derrubar a lei anti-heróis.

A Mulher Elástica volta à ativa e terá cada ação registrada de todos os ângulos por mini-câmeras. Só assim o público será convencido da importância dos heróis para manter o mundo em relativa harmonia. Ainda mais com o surgimento do Hipnotizador, vilão capaz de manipular mentes.

Enquanto isso, o Sr. Incrível enfrenta desafios até então inéditos para ele: lidar 24 horas por dia, sete dias por semana com a vida sentimental de Violeta, ajudar Flecha nas tarefas escolares e cuidar do inquieto Zezé. Em resumo, ser um superpai em vez de um super-herói.

Com quase duas horas de duração, Os Incríveis 2 é um filme hiperativo nessa proposta de administrar questões de família e heroísmo, o que talvez diminua o impacto de certas passagens e personagens, como o Gelado.

Em certo sentido, a própria cadência frenética e um pouco extenuante da trama parece traduzir esse equilibrismo prestes a ruir ou engrenar. O Sr. Incrível precisa abdicar da carreira e reprogramar suas prioridades; a Mulher Elástica, transferir responsabilidades para o marido e se concentrar no trabalho.

No fim das contas, Bird (Ratatouille) segue insuperável como o melhor diretor de animação em atividade no cinema de Hollywood. Cada cena de ação é meticulosamente construída em torno das habilidades de cada herói. E até o mais simples dos diálogos ganha texturas impressionantes de luz, sombra e cor. Uma aventura em família com raro tino para complexas relações humanas.

Avaliação: Ótimo

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