Crítica: Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo é muito melhor que o original

Com argumento simples e roteiro mais complexo, novo filme se beneficia por não estar preso ao tradicional musical da Broadway

atualizado 01/08/2018 20:15

Universal Pictures/Divulgação

Nem toda continuação supera o filme original. Essa regra, no entanto, encontra uma exceção em Mamma Mia! Lá Vamos Nós de Novo. Uma década depois da adaptação cinematográfica do musical da Broadway, é um prazer rever os personagens que, convenhamos, são para lá de cativantes.

Na sequência, a franquia perde seu jeitão amador e, ao mesmo tempo, os atores veteranos aparentam estar infinitamente mais confortáveis em seus papéis – e no mico que todos devem pagar, eventualmente, estando nessa produção.

Talvez a grande vantagem de Lá Vamos Nós de Novo em relação ao original seja justamente não estar tão firmemente preso ao musical. O argumento não toma nenhuma liberdade absurda; aliás, é bastante simples. Um ano depois da morte de Donna (Meryl Streep), Sophie (Amanda Seyfried) quer homenagear a mãe com a reabertura da pousada na Grécia. Paralelamente, em flashbacks, se desenvolve a história de como a jovem Donna (Lily James) chegou à ilha.

O roteiro, no entanto, é muito melhor estruturado que o do filme original, com uma riqueza de detalhes capaz de sustentar quase duas horas de projeção. O norte é a memória de Donna, seja pela colorida e jovial história de como ela engravidou ou pelo luto dos personagens do elenco original.

As referências à primeira obra, no entanto, são um excelente serviço aos fãs, como na cena de quando Donna conhece Bill (Josh Dylan): o diálogo é quase igual ao momento análogo entre o Bill mais velho (Stellan Skarsgård) e Harry (Colin Firth) no filme de 2008.

Outro grande trunfo do longa é a preocupação com a representatividade em tela: enquanto o original não tem um único ator não-branco, Lá Vamos Nós de Novo tenta compensar o elenco principal completamente branco com participações de negros e asiáticos – durante a execução da divertida Waterloo, aparece uma bailarina solista cadeirante. Ainda não é o cenário ideal, mas uma melhora notável.

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As novas adições ao elenco jovem dão cor, leveza e alto astral ao longa. Seja pelos figurinos impecáveis ou pelas atuações muito atentas ao trabalho feito pelo elenco em 2008, os seis novos atores são muito cuidadosos ao viverem personagens de intérpretes de peso como Julie Walters e Christine Baranski.

O principal destaque, é claro, vai para a talentosa James, que conseguiu viver, com muita competência, uma protagonista interpretada originalmente por ninguém menos que Meryl Streep.

O filme tem seus problemas. Quando Cienfuegos (Andy Garcia) diz aos pais de Sophie que “é preciso de três grandes homens para criar uma mulher assim”, fica difícil não se incomodar. Afinal, o trio só apareceu na vida da jovem quando ela era uma adulta de 20 anos. A briga de Sophie e Sky (Dominic Cooper) é uma trama solta no meio do roteiro, que nos leva do nada ao lugar nenhum.

De maneira geral, o filme é muito mais divertido que o primeiro e tem os clássicos do Abba – inclusive músicas que não aparecem no primeiro longa, como When I Kissed The Teacher – para qualquer um passar dias cantarolando. Ademais, acreditem se quiserem: Pierce Brosnan faz um trabalho incomparavelmente superior neste longa porque quase não canta. Por fim, um filme em que Meryl Streep e Cher vivem mãe e filha, é motivo mais que suficiente para nenhum fã de musicais botar defeito.

Avaliação: Bom

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