Crítica: Creed II mantém nível alto ao evoluir conflitos e personagens

Assim como o antecessor, sequência de spin-off da saga Rocky usa nostalgia da franquia para enriquecer sua história

Barry Wetcher/Metro Goldwyn Mayer Pictures/Warner Bros. PicturesBarry Wetcher/Metro Goldwyn Mayer Pictures/Warner Bros. Pictures

atualizado 23/01/2019 12:51

Sequências costumam ser complicadas. Seja por tentarem imitar demais os seus antecessores, seja por apostarem em uma história de conteúdo raso, que não justifica um novo longa, muitas delas costumam fracassar nas bilheterias. A continuação de um spin-off, então, dobra as preocupações. No entanto, assim como seu antecessor, Creed II consegue equilibrar bem nostalgia com a evolução natural e verossímil dos personagens novos, usando o primeiro para alimentar o segundo.

A nostalgia está diretamente ligada aos eventos de Rocky IV, no qual o pai de Adonis (Michael B. Jordan), Apollo, é morto no ringue por Ivan Drago (Dolph Lundgren), que depois é derrotado em uma das lutas fictícias mais emocionantes da história do cinema, com Rocky Balboa (Sylvester Stallone) fazendo o herói russo cair em ostracismo em sua terra natal. Em Creed II, Ivan e seu filho Viktor (Florian “Big Nasty” Munteanu) desafiam o cinturão de Adonis, agora campeão dos pesos-pesados, para recuperar o status perdido.

Do outro lado, Adonis – mais uma vez interpretado com as doses certas de vulnerabilidade, imaturidade, doçura, foco e obstinação, por Michael B. Jordan – passa pelos seus próprios conflitos: aceitar a luta contra Viktor seria uma forma de vingar a morte do pai, ele pensa. Contudo, tanto Rocky quanto sua parceira Bianca (Tessa Thompson), com quem ele tem uma filha, e sua mãe, Mary Anne (Phylicia Rashad), o aconselham de formas diferentes a fazer escolhas com mais responsabilidade, pensando em seu papel como homem e não se agarrando a fantasmas do passado.

 

Coube a Steven Caple Jr. a difícil tarefa de substituir Ryan Coogler (que assume as funções de produtor executivo) no longa, a qual ele cumpre com sucesso, desenvolvendo seus personagens e motivações, os temas de paternidade, identidade, legado e honra, e compondo cenas de lutas dinâmicas, dramáticas e uma empolgante (e obrigatória) sequência de treinamento, desta vez no deserto.

A jornada de Adonis – o herói shakespeariano que está ligado ao seu algoz pela tragédia e é convocado a defender sua honra – pode não ser o conto mais original do cinema. Porém, ao criar uma história coesa e uma conclusão na qual os personagens são confrontados com suas escolhas e têm de decidir entre o que querem e o que precisam, Caple Jr., Michael B. Jordan e Stallone conseguiram evoluir seus personagens de forma satisfatória, dando-lhes profundidade emocional, e assim escaparam da maldição da sequência.

Avaliação: Ótimo

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