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Cinema

Crítica: "Cinema Novo" é ensaio sobre o movimento cinematográfico

Documentário de Eryk Rocha, "Cinema Novo" reúne trechos de filmes e entrevistas com diretores do revolucionário movimento dos anos 1960

03/11/2016 05:30
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Divulgação
Crítica: “Cinema Novo” é ensaio sobre o movimento cinematográfico

No melhor dos sonhos de qualquer cinéfilo apaixonado pelo cinema brasileiro, certas obras se misturariam para formar um filme máximo. Uma cena de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) é continuada por outra de “Vidas Secas” (1963). Os olhares da torcida em “Garrincha, Alegria do Povo” (1962) se estendem para as emoções de Fernanda Montenegro em “A Falecida” (1965).

O documentário “Cinema Novo” começa nesses termos: um ensaio livre que navega por dezenas de filmes sem objetivo definido. Cata um plano aqui, um diálogo ali, uma trilha acolá. Uma aventura guiada por imagem e som para dentro do movimento que mudou o cinema brasileiro, sobretudo nos anos 1960.

Mas, à procura de contexto, Eryk pouco a pouco interrompe essa curiosa conversa abstrata (mas orgânica) entre os filmes para nos lembrar que estamos diante de um documentário sobre cinema. Usando apenas imagens de época, o diretor costura o ensaio com entrevistas e conversas entre os autores do movimento – Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Ruy Guerra e outros mais.

Eryk toma distância do voo onírico e se aproxima da crônica histórica. Lembra o golpe militar de 64 e a ditadura, levanta dilemas – os filmes falavam sobre a realidade e o povo, mas não eram exatamente populares. Em termos simples, “Cinema Novo” é uma poesia funcional – capaz de, quem sabe, despertar novos e velhos cinéfilos.

*Crítica originalmente publicada na cobertura do 49º Festival de Brasília

Avaliação: Regular

Veja horários e salas de “Cinema Novo”.