Crítica: “Cinema Novo” é ensaio sobre o movimento cinematográfico
Documentário de Eryk Rocha, “Cinema Novo” reúne trechos de filmes e entrevistas com diretores do revolucionário movimento dos anos 1960
atualizado
Compartilhar notícia

No melhor dos sonhos de qualquer cinéfilo apaixonado pelo cinema brasileiro, certas obras se misturariam para formar um filme máximo. Uma cena de “Deus e o Diabo na Terra do Sol” (1964) é continuada por outra de “Vidas Secas” (1963). Os olhares da torcida em “Garrincha, Alegria do Povo” (1962) se estendem para as emoções de Fernanda Montenegro em “A Falecida” (1965).
O documentário “Cinema Novo” começa nesses termos: um ensaio livre que navega por dezenas de filmes sem objetivo definido. Cata um plano aqui, um diálogo ali, uma trilha acolá. Uma aventura guiada por imagem e som para dentro do movimento que mudou o cinema brasileiro, sobretudo nos anos 1960.
Mas, à procura de contexto, Eryk pouco a pouco interrompe essa curiosa conversa abstrata (mas orgânica) entre os filmes para nos lembrar que estamos diante de um documentário sobre cinema. Usando apenas imagens de época, o diretor costura o ensaio com entrevistas e conversas entre os autores do movimento – Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Carlos Diegues, Ruy Guerra e outros mais.
Eryk toma distância do voo onírico e se aproxima da crônica histórica. Lembra o golpe militar de 64 e a ditadura, levanta dilemas – os filmes falavam sobre a realidade e o povo, mas não eram exatamente populares. Em termos simples, “Cinema Novo” é uma poesia funcional – capaz de, quem sabe, despertar novos e velhos cinéfilos.
*Crítica originalmente publicada na cobertura do 49º Festival de Brasília
Avaliação: Regular
Veja horários e salas de “Cinema Novo”.
