Crítica: “Casamento Grego 2” recicla piadas da comédia original
Novamente escrito e protagonizado por Nia Vardalos, o filme narra novas trapalhadas envolvendo uma família grega das mais malucas
atualizado
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Pouca gente lembra, já que “Casamento Grego” vive passando na TV a cabo dia sim, dia não, mas o filme registrou um recorde inesperado quando foi lançado, em 2002: é, até hoje, a comédia romântica mais bem-sucedida da história, com bilheteria mundial de US$ 368,7 milhões. Autora do roteiro e protagonista, Nia Vardalos agora registra as loucuras familiares em torno de um novo casamento na continuação “Casamento Grego 2”.
Nia há tempos vinha tentando reeditar o hit de 2002. Tentou na TV com a série “My Big Fat Greek Life”, que durou apenas sete episódios, em 2003. Catorze anos depois do filme, ela retorna à personagem de Toula Portokalos-Miller. Ela continua praticamente a mesma: resolve todos os pepinos familiares e, por causa da crise de 2008, teve que largar o ramo de turismo para trabalhar no restaurante do pai.
Toula é mãe da adolescente Paris (Elena Kampouris), prestes a sair de casa para cursar uma faculdade, e mantém um relacionamento distante com o marido, o não grego Ian Miller (John Corbett). A família Portokalos zanza por Chicago com a vibração de sempre, confundindo sufocamento emocional e pressão coletiva com amor e carinho.
Desta vez, o novo casamento envolve, curiosamente, o núcleo do clã. Gus (Michael Constantine) recorre aos encantos da internet para tentar provar que é descendente de Alexandre, o Grande. Durante a pesquisa, descobre que, antes de rumar para a América meio século atrás, a certidão do casamento com Maria (Lainie Kazan) saiu sem a assinatura de um padre católico ortodoxo.
Comédia datada
Nia começou o projeto, no fim dos anos 1990, como uma peça de teatro baseada nas experiências bizarras que teve quando decidiu se casar com um não grego, o ator Ian Gomez. A oportunidade de adaptar o trabalho para o cinema veio com o interesse de Tom Hanks. O astro produziu o original e a sequência por meio de sua companhia, a Playtone.
Se algumas gags até funcionam, sobretudo na insistência da família em acreditar que tudo tem origem grega, Nia parece perdida no próprio universo. A historinha envolvendo o casamento dos pais soa como mera desculpa para revisitar velhos personagens.
E há pelo menos mais dois ou três conflitos perdidos na trama, como a relação vazia entre Toula e Ian e o arco dramático de Paris, envolvida nos preparativos para o baile de formatura e dividida entre ficar em Chicago ou se arriscar em Nova York. Quando Nia se permite um pouco de ousadia, cria breves aparições para os conflitos de Angelo (Joey Fatone), o primo que se assume gay nos minutos finais.
Tão ingênuo quanto datado, o humor de Nia perde uma boa chance de criticar as caretices e imposições do patriarcado, como casamento, maternidade e submissão às figuras masculinas da família. Desconectado da revolução que renovou a comédia americana nos anos 2000 com os filmes de Judd Apatow e Adam McKay, “Casamento Grego 2” serve para mostrar como o filme original já era datado lá atrás, em 2002.
Avaliação: Regular
Veja horários e salas de “Casamento Grego 2”.
