Crítica: Carros 3 traz personagem feminina para renovar franquia
Novo filme da produtora Pixar coloca McQueen contra a mureta após o surgimento de uma jovem geração de velocistas
atualizado
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Em “Carros 3”, o multicampeão Relâmpago McQueen é um corredor veterano que se encontra em fim de carreira após o surgimento de uma nova geração de velocistas. Obviamente, ele se mostra disposto a derreter o próprio motor antes que alguém o empurre para fora das pistas.
Pela primeira vez em 11 anos, a franquia “Carros”, de animações que cativam as crianças (e nem tanto os adultos e críticos), ousa desacelerar um pouco para trazer angústias da vida adulta para a trama. Em vez da dor de crescer, vemos aqui um atleta encarando o envelhecimento.
McQueen e seus colegas assistem, estupefatos, aos recordes de velocidade registrados por novíssimos pilotos. Eles são sisudos, arrogantes e confiam tanto na ciência de números e estatísticas quanto em técnicas de treinamento que sequer sujam os pneus – melhoram os tempos em simuladores virtuais.McQueen, o Rocky Balboa das pistas?
“Carros 3” filia-se às tradições de filmes esportivos no momento em que McQueen se encontra só. Um a um, competidores tradicionais são substituídos por carros mais jovens. Para completar a fase ruim, ele sofre um grave acidente que o afasta das disputas.
O patrocínio é vendido para um empresário que impõe outro duro golpe ao ex-campeão: vencer a corrida de abertura da próxima temporada, na Flórida, ou aceitar a aposentadoria forçada.
Numa vibração que lembra tanto “Rocky Balboa” (2006) quanto “Creed – Nascido para Lutar” (2015), McQueen vira uma espécie de Sylvester Stallone dos esportes a motor. Associa-se a uma jovem treinadora, Cruz, mas só consegue vislumbrar sentido e autenticidade no passado.
Ele prefere treinar em areias de praia e velhos circuitos empoeirados do que aceitar as medições precisas dos simuladores virtuais. Um atleta teimoso, durão, convicto de que as verdadeiras raízes do esporte o ajudarão a voltar ao topo do pódio.
Boa personagem feminina e temas Pixar diluídos em clichês
O debate geracional do piloto com Jackson Storm, ás da nova geração, instiga McQueen a procurar o sábio Smokey, mentor de seu chefe de equipe, o saudoso Doc Hudson (dublado em inglês novamente pelo falecido Paul Newman por meio de sobras de “Carros”, lançado em 2006).
Esses típicos clichês de superação e garra, porém, jamais interessam tanto em “Carros 3” quanto a dinâmica de McQueen com Cruz (ou o curioso interlúdio de filme de terror com os personagens apavorados numa corrida de demolição). A mulher, devagarinho, se infiltra num universo habitado por homens.
Mesmo superior aos antecessores, “Carros 3” é formulaico até quando tenta convocar temas de outros filmes da Pixar, sobretudo a infância perdida e a carga emocional da memória. Eles surgem sempre filtrados pelo doce (mas conveniente) sabor da nostalgia.
Avaliação: Regular
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