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“Beleza Oculta” abre com Will Smith fazendo um discurso motivacional para os seus funcionários. Howard, um publicitário de sucesso, defende que a agência não apenas venda produtos, mas proponha uma experiência baseada em “amor, tempo e morte”.

Segundo o empresário, só compramos porque amamos alguém, queremos guardar lembranças e tememos pelo dia da nossa despedida. É assim, nesses termos, que o filme lança a ideia (ou o slogan) de que “estamos todos conectados”, o tipo de pílula de sabedoria que estamparia um livro qualquer de autoajuda.

David Frankel, diretor de emoções tão variadas quanto “O Diabo Veste Prada” (2006) e “Marley e Eu” (2008), desta vez apela para o pior que Hollywood pode oferecer: uma historinha calculada para fazer chorar, cheia de golpes baixos e encerrada com reviravoltas mirabolantes.

Drama existencial… na forma de um slogan publicitário
Tudo bem que até o Oscar já caiu nesse golpe, premiando “Crash – No Limite” (2005). Mas “Beleza Oculta” vai além. Howard anda desolado por Nova York após ter acompanhado o sofrimento e a morte da filha. Dois anos depois, ele segue como um zumbi na agência que fundou.

Howard, em ato desesperado, escreve cartas às “entidades” Amor, Tempo e Morte. Funcionários de confiança, Whit (Edward Norton), Claire (Kate Winslet) e Simon (Michael Peña) decidem contratar atores para interpretar os destinatários e, assim, tirar a empresa de uma crise com os clientes.

O conceito pareceu no mínimo instigante? Pois saiba que Frankel leva o slogan “estamos todos conectados” tão a sério que coloca Amor (Keira Knightley), Tempo (Jacob Latimore) e Morte (Helen Mirren) para remediar as mazelas sofridas por Whit, Claire e Simon. Um não se relaciona com a filha, ela não consegue ter filhos e o outro esconde uma doença terminal.

“Beleza Oculta” mira o drama existencial, mas pretende fazer o público se afogar em lágrimas das maneiras mais bobas e rasteiras. No fim das contas, é um produto tão vazio quanto aquela propaganda “edificante” daquele banco ou daquele plano de saúde que vemos diariamente na televisão.

Avaliação: Ruim

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