Crítica: “A Espera” é drama forte e melancólico
Longa é a estreia do italiano Piero Messina na direção cinematográfica
atualizado
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Se você é fã da cinquentona Juliette Binoche, pode admirar o trabalho da atriz no pungente drama “A Espera”. Estreia na direção cinematográfica do italiano Piero Messina – assistente de direção de Paolo Sorrentino, de a “Grande Beleza” -, o filme tem como tema o drama da perda.
Enclausurada em sua mansão, num vilarejo no interior da Sicília, Anna (Juliette Binoche), cercada de sombras, silêncio e o martírio da dor, não sabe o que fazer. Ela acabou de perder o filho e quando a namorada do guri lhe telefona, Jeanne (Lou de Laâge), avisando que está vindo de Paris para vê-lo, ela é enigmática e distante ao telefone. “Pode vir. Estou esperando”, resume.
No dia seguinte, a menina chega e se depara com um cenário de melancolia e torpor, com pessoas de luto andando pela casa, certo clima sombrio no ar. “Sofremos uma perda horrível”, diz Anna, referindo-se ao irmão, e nada sobre o filho.
O espectador sabe que a mãe mente, engana a jovem, omite informações sobre o que aconteceu com o filho, solidariza-se com a garota, sente pena, ao mesmo tempo em que fica sem entender os motivos de tal comportamento. Pela dubiedade de seu olhar e situações que cria como anfitriã, dá a entender que talvez ela possa estar interessada em Jeanne, configurando então um triângulo amoroso com vértices tortos. Será?Drama soturno
Uma adaptação moderna de duas histórias do poeta, dramaturgo e romancista italiano Luigi Pirandello (1867-1936), o filme é um drama soturno norteado pelo absurdo. Daí o clima fantasmagórico da trama cheia de mistérios e da ausência desse corpo, que nos lembra “L’Aventura” (1960), de Antonioni.
Drácula de sua existência dramática, a personagem de Juliette Binoche atravessa a trama perdida em sofrimentos, mergulhada na penumbra incontida de sua dor. O ritmo lento, mas nada enfadonho da narrativa privilegia belos enquadramentos e a luz solar da Sicília, espécie de ponto de fuga diante dessa melancolia.
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Avaliação: Bom
