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Cinema

Crítica: "A Cidade Onde Envelheço" é crônica sobre amizade em BH

Filme vencedor do Festival de Brasília 2016, "A Cidade Onde Envelheço" acompanha as experiências de duas portuguesas em Belo Horizonte

09/02/2017 05:26
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Vitrine Filmes/Divulgação
Crítica: “A Cidade Onde Envelheço” é crônica sobre amizade em BH

“A Cidade Onde Envelheço” venceu o Festival de Brasília 2016 com uma crônica sobre duas portuguesas vivendo no Brasil. Certas sutilezas só são notadas por quem é de fora. Francisca mora em Belo Horizonte há algum tempo e, mesmo assim, ainda não se acostumou com a “folga” das pessoas: toda hora alguém a aborda pedindo um trago de cigarro.

No senso comum, as nações são irmãs: falam a mesma língua, compartilham costumes. Na prática, morar em outro país desperta uma incerteza lancinante: é aqui onde vou envelhecer?

Com uma estrutura livre, sem uma trama a seguir ou um destino a atingir, a diretora Marília Rocha cria uma encenação espontânea e baseada na improvisação para narrar o encontro de duas amigas portuguesas em Belo Horizonte.

Sobre pertencer: o lar como algo transitório
Teresa chega ao Brasil com seu espírito brincalhão e agitado. Vai a festas, faz amizade com um grupo de roqueiros, diverte-se fazendo compras. Francisca, mais acostumada à rotina, trabalha num restaurante português e parece bem menos efusiva. De um jeito ou de outro, as duas sentem saudades de Lisboa, do mar — “de pessoas que me conhecem”, observa Teresa.

“A Cidade Onde Envelheço” gera uma fácil associação a filmes recentes de Noah Baumbach sobre as metamorfoses da juventude e as crises dos 30, como “Frances Ha” (2012) e “Mistress America” (2015). Semelhanças óbvias à parte, o filme mineiro parece ir além nessa crônica urbana sobre jovens em constante movimento, que não se prendem a relacionamentos fixos e cotidianos previsíveis.

De um jeito pessoal, cultivado pela própria amizade da cineasta com as atrizes, o longa mineiro consegue exalar um aconchegante carisma a partir de conversas jogadas fora, brincadeiras nonsense e invencionices que só fazem sentido entre amigos íntimos. Um filme que se desenvolve como se o espectador estivesse passando dias e noites na companhia dos personagens.

*Crítica publicada originalmente durante a cobertura do Festival de Brasília 2016

Avaliação: Bom

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