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A Shondalândia não para de crescer. Com o perdão do trocadilho – Shondaland é o nome da produtora de Shonda Rhimes –, a executiva por trás da interminável “Grey’s Anatomy” e de “Scandal” também faz produção executiva do megasucesso “How To Get Away With Murder”. Seu mais novo trabalho como produtora é “The Catch”, seriado que estreou em março nos Estados Unidos e chega ao Brasil em 28 de abril, pelo Canal Sony.

Celebrada pela diversidade de gênero e raça nas séries em que se envolve, a produtora insere outras marcas reconhecíveis em mais uma trama com a cara do universo Shondaland: gente que adora uma intriga, mentiras sendo contadas quase que minuto a minuto e contaminação constante entre trabalho e vida pessoal. “The Catch” é criação do trio Kate Atkinson, Helen Gregory e Jennifer Schuur.

A trama
Investigadora particular de uma empresa que atende endinheirados homens de negócios, Alice Vaughan (Mireille Enos, de “The Killing” — foto no alto) expõe fraudes e golpes em Los Angeles. Desta vez, porém, ela foi a vítima de seu próprio noivo, o misterioso Benjamin Jones (Peter Krause).

Ele começou como cliente da firma, conquistou o coração de Alice e aproveitou a intimidade para hackear e invadir o banco de dados do escritório. De repente, some sem deixar vestígios. A detetive não tem vida fácil: precisa achar Benjamin enquanto apura outros casos.

Reprodução/Facebook

Ritmo de videoclipe
As séries de Shonda (foto acima) costumam ter uma estética bastante derivada da clássica linguagem televisiva dos anos 1990: cortes rápidos, cenas que se resolvem em poucos diálogos, montagem didática, raros momentos contemplativos e trilha sonora em volume máximo.

Mostrada nos EUA pelo canal aberto ABC, “The Catch” exibe até tela dividida para dinamizar sequências de pesquisa e investigação, um recurso muito presente em filmes/seriados sobre roubo e golpe. Esse verniz envolvente e por vezes ingênuo pode parecer datado para quem prefere programas de narrativa menos dependente de truques visuais e reviravoltas de roteiro, como “Mad Men” e “Hannibal”.

ABC/Divulgação

Narrativa de best-seller
Um inegável trunfo das séries da Shondaland é o fluxo narrativo saído de best-sellers e folhetins. “The Catch” aposta no constante trânsito de informação entre uma cena e outra. Cada diálogo é reforçado por um conflito ou solução no minuto seguinte, sem espaço para pontas soltas – e, infelizmente, para a imaginação do espectador.

A exemplo de “How To Get Away With Murder”, um só capítulo reúne reviravoltas suficientes para preencher no mínimo um romance de 300 páginas. Em ambas as séries, fica a sensação de que o episódio piloto funciona como um resumão de uma temporada inteira.


“The Catch” estreia em 28 de abril, às 21h, no Canal Sony