Cannes: Vie Privée, de Rebecca Zlotowski

Jodie Foster atua em francês como uma terapeuta tentando desvendar a morte de uma paciente.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Vie Privee
1 de 1 Vie Privee - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

É incrível como um filme feito recentemente pode nos revelar o que desejamos do passado e nem sabiam. No filme desta crítica, a atriz americana Jodie Foster, atuando em francês, estrela uma trama de suspense psicológico. O fato dela nunca ter tido a oportunidade de fazer isso num filme de Alfred Hitchcock (por circunstâncias de época de vida, mesmo) é um presente perdido ao cosmos. A premissa é simples: um dia, a terapeuta Lilian Steiner (Foster) recebe a notícia que sua paciente Paula (Virginie Efira) se suicidou. Só que o ato não faz sentido para a médica, então ela começa uma investigação própria.

Adicionando uma pitada de surrealismo é que, durante a jornada, Lilian está tão perdida que apela até para um tratamento que ajudou outra paciente a largar os cigarros: sessões de hipnose. É o toque especial que até o próprio Hitchcock inseriu em algumas de suas tramas. Talvez o senso de obrigação venha de um certo instinto de culpa já que o viúvo de Paula, Simon (Mathieu Amalric), culpa ela pela morte, executada com uma overdose de remédios receitados.

Foster, claro, tem alguns thrillers americanos no currículo, como O Quarto do Pânico e Flightplan, que tiveram um bom saldo comercial. A diretora deste fez excelente escolha em sua protagonista, carismática e séria em doses certas para carregar o filme nas costas. Além de seu trabalho e o caso da paciente morta, Lilian também tem filho e ex-marido (Daniel Auteuil) com quem se importar. Sem contar que agora ela chora compulsivamente. O ex, que é oftalmologista, certa vez a tratou por um problema nos dutos oculares responsáveis por lágrimas, mas será que o que o filme realmente está fazendo é nos conduzir para o climax aonde tudo se passa dentro da cabeça da personagem?

São brincadeiras como esta que reforçam a ideia de Vie Privée como uma homenagem ao gênero. Não devemos esquecer que em seu papel mais emblemático, Foster foi a agente do FBI Clarice Sterling. Como seria uma personagem tão séria num cenário hipnótico? Aqui o filme realmente brinca, nos levando para possibilidades de vidas passadas e de uma conexão de destino entre Lilian e Paula. É a decisão mais arriscada de Zlotowski, e embora algumas de suas ideias não terem sido realizadas em total potencial, o filme diverte o suficiente para entreter.

Avaliação: Bom (4 estrelas)

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