Cannes: Two Prosecutors, de Sergei Loznitsa

Trama judiciária na União Soviética é tão previsível quanto sua burocracia

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Two Prosecutors
1 de 1 Two Prosecutors - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

É um tanto ameaçador que a Rússia atual, um regime ditatorial e censurador, permita a realização de um cinema que possa criticá-la. Pode parecer um deslize, ou um sinal de negligência, mas a verdade é que seus governantes simplesmente não veem esta leva de filmes como uma ameaça. Esta metáfora parece percorrer “Two Prosecutors”, drama histórico que começa com um prisioneiro idoso em frente a um forno a carvão, queimando uma enorme pilha de cartas dos detentos, uma a uma. O sistema prisional, veja, permite que seus “hóspedes” listem suas reclamações; só não permite que estas escapem os muros.

O ponto de partida do drama é uma destas cartas, endereçada ao promotor Kornyev (Aleksandr Kuznetsov). Nela, um membro fiel do partido comunista, Stepniak (Aleksandr Fillipenko), denuncia que a polícia de Stalin trata o sistema judiciário fora da legalidade, como instrumento de tortura e supressão. Ainda ideologista, Kornyev resolve investigar a denúncia e marca uma visita ao presídio. A burocracia local o obriga a esperar horas a fio, tentando fazê-lo desistir. Nós, os espectadores, somos convidados a esperar junto, nos perdendo nos corredores afunilados e nas salas despersonalizadas, abaixo do repertório imagético de Josef Stalin, líder comunista da época.

A morosidade da trama, que usa cenas inteiras filmadas em um só take, é um paralelo importante ao tema da burocracia inerte. Só que a morosidade faz par com previsibilidade na trama, especialmente para quem conhece as tendências stalinistas da época. Depois que Kornyev e Stepniak finalmente se encontram, o jovem retorna a Moscou, onde fará nova, e similar, peregrinação burocrática para conseguir respostas. Os vários personagens coadjuvantes encontrados nesta jornada são misteriosos, funcionando mais como alegorias da vida sob opressão do que como pessoas reais.

O destino de Kornyev é certo, portanto, mas a espera é longa. O que surpreende em “Two Prosecutors” é a não disputa de poder dos personagens, todos amedrontados, e suas tentativas de manter uma ilusão que o sistema é justo.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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