Cannes: Splitsville, de Michael Angelo Corvino
Comédia devastadora à noção de relacionamentos abertos diverte e provoca, mas se torna algo mais convencional do que deveria.
atualizado
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Casamento aberto está na moda, parece, e a arte imita a vida nesta comédia escrachante que passa numa mostra paralela do Festival de Cannes. É um filme hilário e ambicioso, só que, em seus momentos finais, um tanto quanto convencional. Carey (Kyle Marvin) e sua esposa Ashley (Adria Arjona) estão viajando de carro, rumo a casa de amigos para um final de semana juntos. Só que a relação entre os dois está um tanto estremecida, pelo menos na visão de Ashley, que quer se separar. É um choque pra Carey, que descobre quase sem querer. Caso isso não bastasse, os dois ainda tentam um ato sexual aventuroso e se envolvem, tangencialmente, num acidente com morte. Se todo o absurdo dos primeiros quinze minutos desta comédia não servem para marcar Carey como um azarado, apertem os cintos.
Chocado pela separação, Carey chega sozinho na casa de Paul (Michael Angelo Covino) e Julie (Dakota Johnson) e logo descobre que o casal vive uma crise própria. Paul está lidando com uma crise no trabalho (não será a primeira) e parte de volta à cidade. Julie suspeita que ele esteja indo encontrar uma outra mulher, visto que os dois tem um casamento “aberto”. O simples traço de ciúmes já indica que a dinâmica não é perfeita. Sozinhos na casa, Carey e Julie tem a oportunidade dos desamarrados. O que eles fazem ou deixam de fazer definirá a trajetória futura dos personagens por um longo tempo.
No caso deste filme, é um elogio dizer que tem muito mais acontecendo na tela do que a história destes quatro personagens e suas trocas. O que parece ser uma comédia de erros convencional, abarca na verdade longas variações temporais e uma série de subplots que, se não são explorados à exaustão, expandem o imaginário destas vidas para além do óbvio. São brigas físicas e emocionais de quebrar mobília, trocas de parceiros e de moradias, manipulações e descontroles, prisões e solturas hilárias, que permitem a exploração de Carey, Ashley, Paul e Julie como personagens inteiriços.
Esta versatilidade, narrativa e estética, é também o que distrai do fato que Carey e Paul são interpretados pelo diretor e também pelo co-roteirista do filme, o que torna o casting de duas das mulheres mais bonitas da atualidade como suas parceiras um tanto conveniente. Um dos problemas do filme é o tanto que a dramaticidade das duas atrizes gira em torno das inseguranças dos personagens masculinos. As armações do roteiro, por circundarem homens bobos, também torna o desfecho um tanto previsível. A comédia parece ser às custas do conceito de relacionamentos abertos em vez de sobre eles, o que indica o estilo de vida adotado por quem o dirigiu.
Avaliação: Bom (3 estrelas)
