Cannes: Renoir, de Chie Hayakawa

Infância japonesa na década de 80 é sensível e agradável, mas confunde.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Renoir
1 de 1 Renoir - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

As vagarias da juventude são o assunto e o formato de um filme sobre uma menina japonesa de 10 anos que, embora curiosa e bem-humorada, ainda mantém laços com um luto muito específico em sua família. Em um Festival que nunca fugiu de episódios e biografias de artistas nacionais, o nome do filme é uma pista falsa. Pierre-Auguste Renoir foi um pintor francês que participou do movimento impressionista, cujo maior expoente foi Monet. Usando cores vívidas e explorando características da luz, estes pintores não escondiam os traços de seus pincéis, fugindo do imagético foto-realista.

Fuki (Yui Suzuki) é bem mais fixada em imagens de morte do que deveria, ao estranhamento de algumas das pessoas em seu redor, incluindo a professora da 5a série, que chama uma reunião de pais para discutir a redação da menina, “Eu quero ser uma Órfã”. Não é nada de novo para sua mãe, Utako (Hikari Ishida), que parece conhecer a filha plenamente e nem se preocupa muito com ela. Seu tempo é quase todo consumido com trabalho, e por isso deixa Fuki bem solta em suas aventuras do dia-a-dia. Outra questão é que o marido, pai de Fuki (Lily Franky), está com câncer terminal.

Seria redutivo indicar que toda a personalidade de Fuki vem derivada desta configuração familiar, a mãe workaholic e o pai moribundo, mas talvez seja por isso que o filme tenha este título que foge ao óbvio. Fuki é um retrato aonde cada traço do pincel traz uma complexidade não aparente, e novas complexões surgem à medida em que nos aproximamos dela.

Para Fuki, o mundo dos adultos parece cheio demais de subterfúgios e mentiras. Sua mãe está considerando ter um caso com um colega de trabalho, o pai está gastando dinheiro com medicamentos duvidosos e um homem adulto, que ela conhece por telefone, está um tanto interessado em um encontro, sozinhos. Talvez seja por isso que a menina está tentando aprender técnicas de hipnose. (Os resultados também são duvidosos.) O que une todas estas tramas, é a perspectiva de solidão, o aspecto que, mesmo rodeados de pessoas e de familiares, passamos sozinhos por uma multidão de coisas.

A predisposição de cada espectador em passar seu tempo de forma lúdica com Fuki é o que ditará o quão proveitosa será a experiência.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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