Cannes: Partir un Jour, de Amélie Bonnin
História de chef de sucesso que reencontra antigo amor numa visita à cidade natal é mais do mesmo, bem executado.
atualizado
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Já tem uns bons anos que o Festival de Cannes resolver dedicar a agenda de abertura a filmes franceses. É a coisa certa a fazer, já que os organizadores destacam a importância do cinema nacional na história da sétima arte. Se forma também o hábito de exibir ao mundo filmes que não terão grande impacto, como é o caso neste ano. Partir un Jour, da diretora Amelie Bonnin, importa uma fórmula direto de Hollywood, e o resultado é uma trama que não é o suficiente para seu talento.
Cécile (Juliette Armanet) é uma chef no estilo workaholic que ganhou renome ao vencer um reality show culinário. Prestes a abrir seu próprio restaurante, ela decide fazer uma viagem-relâmpago à cidade onde nasceu, pois seu pai acaba de sofrer um ataque cardíaco. O casal Gérard (François Rollin) e Fanfan (Dominique Blanc) tem um restaurante à beira de uma rodovia que serve um público de caminhoneiros e viajantes, cuja cozinha simples contrasta com a linha de ´haute cuisine´ da filha. É a metáfora típica de centenas de comédias românticas, o atraso aconchegante do lar versus a ambição cosmopolita.
Só que Cécile tem um motivador oculto para fazer a viagem. Com a descoberta de uma gravidez não planejada, ela vive uma crise que deixa oculta defronte o parceiro, Sofiane (Tewfik Jallab), namorado e sócio no novo restaurante. Só para completar a fórmula, Cécile reencontra uma ex-paixão, Raphael (Bastien Bouillon), cujo coração ela partiu quando se mudou para a cidade grande sem lhe dar satisfação. Este, por sua vez, encarna o estilo relaxado de se viver, sem ter feito nada de mais com seu tempo e ainda se divertindo com os mesmos amigos de infância.
Ah, tem um detalhe que pode pegar de surpresa: o filme é um musical.
Apesar de não oferecer nada de novo em sua estrutura dramática, a filmagem é feita com talento óbvio, e em um ou outro momento, a fotografia parece ter sido feita em película, estilo cada vez mais escasso no cinema comercial. Outro ponto de interesse é que os números musicais são sempre feitos em lugares banais, como o restaurante de beira-de-estrada ou um ginásio de patinação, uma ideia de que, na vida de cada um, o fantástico pode se embrenhar no cotidiano. Basta querer.
Só que a escolha final de Cécile, se ela fica ou se ela vai, é desprovida de tensão devido à previsibilidade do roteiro. Raphael, a ex-paixão, coitado, não contém uma faísca de interesse dentro de si, e o ator não transcende ao pouco que tem a fazer.
Avaliação: Regular (2 estrelas)
