Cannes: Nouvelle Vague, de Richard Linklater

Incrível surpresa de diretor americano revela bastidores do maior filme francês já feito.

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Festival de Cannes/Divulgação
Nouvelle Vague
1 de 1 Nouvelle Vague - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

É preciso sair do mar pra ver o mar–talvez só isso explique o sucesso estético e narrativo de ter saído de um diretor americano o melhor filme sobre a Nouvelle Vague, o mais impactante movimento do cinema francês. Apresentar um filme francofônico com sotaque ianque sempre foi uma proposta arriscada no Festival de Cannes (aqui a menção especial vai a Sofia Coppola e seu “Marie Antoinette”, vaiado e natimorto na edição de 2006). Com o verdadeiro Jean-Luc Godard já falecido, o filme perde a pessoa que seria seu maior crítico, sem dúvidas. Realizado posteriormente, é um fiel retrato espiritual de um grupo de jovens críticos que resolveram fazer cinema.

Em meta-referência, o filme começa no Festival de Cannes de 1959, na estreia de Os Incompreendidos, filme que alavancou a carreira de François Truffaut (Adrien Rouyard), colega de Godard (Guillaume Marbeck) na revista Cahiers du Cinéma. De toda a turma da revista, Godard é o único que ainda não fez o seu filme, e o misto de inveja e insegurança que ele carrega está visível mesmo por trás de seus óculos escuros.

Acossado, até hoje o filme francês mais famoso e icônico da história, nasce também de uma ideia de Truffaut, que colaborou no roteiro, sobre um larápio medíocre que mata um policial e se esconde com a namorada americana em Paris. O processo com o qual Godard conduz seu filme é um testamento à irascibilidade do diretor. Contestando tudo e todos, insolente com seu produtor e grosseiro com sua equipe, o Godard que Richard Linklater apresenta é cheio de razão e aforismas (certamente retirado das entrevistas tardias de sua carreira), com total controle do imaginário que buscava criar e das regras que quis romper.

O filme não tenta explicar o inexplicável, que seria como um diretor tão desorganizado e mal-educado conquistou sua equipe. Aparentando bastante pesquisa, apresenta o dia-a-dia da filmagem e deixa qualquer incômodo com a metodologia apresentada na personagem de Jean Seberg (Zoey Deutch), a única americana do elenco. Sem saber como organizar sua personagem, a experiência de Seberg também salienta o descaso com o qual atrizes tem suas preocupações e interesses descartados num mecanismo masculino. Explorar isto mais a fundo poderia ser um tempero desta história, mas o resultado de tudo isso é uma obra tão reverenciada, que tudo que levou à sua finalização parece peça fundamental, e por isso desculpável, deste sucesso.

Destaque evidente para o elenco do filme, que além de mimetizar as aparências da turma, parecem se divertir horrores–na feitura de Nouvelle Vague, não necessariamente na de O Acossado, especialmente Aubry Dullin, que interpreta o incomparável Jean-Paul Belmondo. O fotógrafo Raoul Coutard (Matthieu Penchinat), maior colaborador de Godard, também tem representação importante e justa.

Avaliação: Ótimo (4 estrelas)

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEntretenimento

Você quer ficar por dentro das notícias de entretenimento mais importantes e receber notificações em tempo real?