Cannes: “Netemo Sametemo”, de Ryusuke Hamaguchi

Exploração romântica tem elementos de thriller, mas ao final, a exploração temática não leva à nada

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Asako I & II
1 de 1 Asako I & II - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Geralmente quando vemos que um filme dirigido por um homem tem o nome de uma mulher, imaginamos que se tratará de uma história idealizada, tanto fisicamente quanto emocionalmente. Asako (Erika Karata), que começa o filme como uma estudante na faculdade, reverte esse olhar, sendo ela a agente desta história. Asako ignora os conselhos de seus amigos, que a advertem contra Baku (Masahiro Higashide), seu novo namorado, que tem fama de galanteiro inconsequente, e fica completamente apaixonada por ele. Os dois são jovens bonitos e interessantes, ela um tanto CDF, ele bad boy. Um dia Baku some, sem dar explicações, deixando Asako para trás, sem respostas e inconformada.

Dois anos mais tarde, ela já se formou e trabalha num coffee shop. Um dia, se depara com Ryohei (também interpretado por Masahiro Higashide) e o fato dele ser idêntico a seu antigo amor a deixa desorientada. Numa vibe que deve bastante a “Um Corpo que Cai”, de Alfred Hitchcock, ela decide iniciar um relacionamento com Ryohei, não por gostar do almofadinha meio quadrado, mas porque seu rosto é igual ao da antiga paixão.

O plano de Asako parece dar certo–5 anos mais tarde ela está casada com Ryohei, mãe de dois filhos, numa existência completamente resolvida. E aí Baku ressurge. Não fisicamente, mas sim num outdoor. Ele agora é um ator e modelo famoso. Está claro que o diretor, o japonês Ryusuke Hamaguchi está interessado em explorar a dinâmica de escolher entre a pessoa que desperta a chama da paixão e a que fornece segurança e estabilidade. Ao escolher um só ator para interpretar os dois, Hamaguchi escanteia a questão física e se concentra apenas na emocional e pessoal.

“Netemo Sametemo” tem uma premissa excelente, porém um desenrolar desinteressante. Não se trata de um final insatisfatório, ou mesmo uma falta de resolução. O vai-e-vem do roteiro, defronte todas as possibilidades de exploração, está determinado a ser o mais sem graça possível, e parece achar que o espectador estará ao lado de Asako não importa o que aconteça. E isso é difícil quando se retrata uma protagonista que se recusa a fazer escolhas.

O filme tem, claro, muita conversa sobre as intermitências do amor, suas versões e suas desilusões, mas nada do que se discute será lembrado pelas pessoas expostas a elas. Similarmente, a imagem dos dois atores principais, jovens e bonitos, reflete a limitação de experiência de vida que eles conseguem expressar. Vários atores cujos rostos já contam histórias, talvez elevassem o material do filme a algo mais interessante, mas eles não foram escalados para o filme.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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