Cannes: “Mandy”, de Panos Cosmatos

Nicolas em sua melhor forma: biruta, violenta, e completamente desmiolado

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Mandy
1 de 1 Mandy - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Existem dois Nicolas Cage em nosso mundo. Um é o herdeiro da dinastia cinematográfica Coppola e ator metódico vencedor do Oscar por “Despedida em Las Vegas”. O outro é um vampiro travestido de ser humano, que confunde maluquice com boa atuação. (Esta segunda persona tem estado em evidência, pois Cage tem topado qualquer tipo de papel oferecido, numa tentativa de pagar dívidas.) Embora ainda permanecem separadas, nenhum filme recente mesclou tão bem a versão insana de Cage com o cinema de art-house quanto “Mandy”, filme exibido na Quinzena dos Realizadores, a mostra mais “cult” do Festival de Cannes.

Red (Nicolas Cage) e Mandy (Andrea Riseborough) vivem num Éden particular–uma mansão no meio de um bosque verdante. Quando estão separados ele trabalha num moinho de madeira e ela desenha e pinta em seus cadernos. Juntos, se amam e contemplam tópicos místicos, como quais são seus planetas favoritos. Um dia, Mandy é avistada por uma gangue itinerante cujo líder espiritual (Linus Roache) decide tomá-la como sua. O casal sofre uma invasão doméstica e Mandy é morta enquanto Red assiste a tudo enrolado em arame farpado, torturado. Largado para trás, ele sobrevive, e decide se vingar.

Panos Cosmatos, o diretor, entende que o gênero de cinema aonde um homem vê seu amor liquidado e subsequentemente se vinga é completamente batido, e assim investe não em roteiro ou narrativa, mas em ambiente e insanidade. O filme se passa na década de 80, uma nostalgia excessivamente representada nos últimos anos, o filme transcende tudo que veio antes. Mais Stephen King que o próprio autor, mais diabólica que uma capa de CD de heavy metal, mais sanguina que toda uma franquia de horror e mais sintetizada do que um filme de Nicolas Winding Refn, simplesmente não existe nada como “Mandy”.

Isso tudo sem pressa, porém. O que “Mandy” traz de diferente dos melhores filmes de gênero dos anos 80 é uma duração excessiva, especialmente em sua primeira metade. Com uma hora, ou mais, de fase preparatória, o roteiro não recheia seus principais personagens, mas os mantêm como meros arquétipos. Passar tanto tempo com Red e Mandy deveria aumentar o investimento emotivo do espectador, e não mantê-lo na mesma distância que já existia no começo do filme. O que ocorre em vez de caracterização é representação mitológica, um mergulho em visões e alucinações cujas representações devem significar muito para o diretor e connoisseurs desta referência pop, mas não para o espectador comum.

Justamente quando se começa a imaginar que nada acontecerá neste filme, Cosmatos pisa no acelerador e não solta mais. Quanto menos se disser sobre as peripécias de Cage, melhor, mas só para se ter uma ideia, o filme envolve demônios de verdade em motocicletas e um machado de aço forjado pelo próprio Red numa cena mais ousada que qualquer outra de “Game of Thrones”. Ah, e também uma pequena participação de Bill Duke, mais conhecido por brigar com Schwarzenegger em “Comando para Matar”.

Avaliação: Ótimo (4 estrelas)

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