Cannes: Les Aigles de la République, de Tarik Saleh

Reflexão sobre cooptação política do cinema não resiste à um twist atrás do outro.

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Festival de Cannes/Divulgação
Eagles of the Republic
1 de 1 Eagles of the Republic - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

George Fahmy (Fares Fares) está sofrendo as auguras de quem atingiu o topo de sua profissão. Astro do cinema egípcio, caiu nas graças do ditador atual, que espera uma adaptação de sua história de vida com a estrela no papel. Apelidado de “Faraó das Telas”, George está cada vez se aprofundando mais num marasmo atual: como misturar arte e política, especialmente de um governo que busca reprimir o seu povo? A narrativa deixa claro que George fica ressentido pela imposição (senão não haveria drama), mas o filme reluta em correr riscos em seu posicionamento.

O ditador é Abdel Fattah el-Sisi e seu governo age rapidamente para conseguir a participação de George: em uma blitz no meio da rua, policiais param o carro do ator e ameaçam sumir com seu filho adolescente caso ele recuse. Como participante da economia cultural, começamos a enxergar o quanto o trabalho de um ator depende da boa vontade de seu governo, mesmo com a popularidade de George. Dele e daqueles que o orbitam, como o filho adolescente sem muito direcionamento, ou o empresário gay que administra sua carreira. A vida de George, também é figurinha batida nos tablóides, e ele faz o que pode para esconder a amante, Donya (Lyne Khoudri), uma jovem modelo com ambição de virar atriz.

O diretor Tarik Saleh também apresentou seu último filme no Festival de Cannes, ainda em 2022. Walad Min Al Janna, Menino do Céu, era sobre a disputa de poder para o cargo de reitor de uma universidade que molda o pensamento muçulmano. Claramente inspirado pelos módulos políticos de poder em seu país, os seus roteiros tentam postular confrontos de modernidade e tradição (especificamente, a conservadora). Uma das simbologias mais icônicas neste novo filme é que George Fahmy é um astro de cinema alto, bonito e com a cabeça cheia de cabelo, enquanto o ditador que ele deverá interpretar no filme é baixinho, feioso e careca.

Les Aigles de la République apresenta um personagem interessante e ainda ingênuo, cujo privilégio popular serviu para protegê-lo da repressão, mas que agora começa a prejudicá-lo. É uma metáfora forte, de que mesmo aqueles que se consideram isentos, um dia terão de servir a autocracia. Que a vez destas pessoas também há de chegar. Só que o roteiro parece não ter confiança na história que se propôs a contar. Reviravoltas absurdas, como um caso com a esposa de um ministro, e uma trama oculta de golpe contra a ditadura de Sisi pipocam sem motivação ou necessidade para escantear o filme no lugar-comum comercial.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEntretenimento

Você quer ficar por dentro das notícias de entretenimento mais importantes e receber notificações em tempo real?