Cannes: “Leave No Trace”, de Debra Granik

Duas excelentes interpretações são o suficiente para um filme sobre um pai que tenta criar a filha à margem da sociedade

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Festival de Cannes/Divulgação
Leave no Trace
1 de 1 Leave no Trace - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Will (Ben Foster) e Tom (Thomasin McKenzie) parecem brincar de pique-esconde numa floresta. Will estuda a paisagem vagarosamente, absorvendo cada detalhe sem andar pelas árvores e pela folhagem, até que avista sua filha. “Você não cobriu sua meia direito,” ele explica. O sutil sinal de uma cor que não pertencia aquele cenário. A brincadeira é coisa séria, e se assemelha mais a um treinamento do que uma atividade de lazer. Em “Leave No Trace,” pai e filha moram escondidos da sociedade, acampados na natureza.

A adolescente Tom não é nenhuma novata deste estilo de vida. Ela e seu pai tem protocolos para todo tipo de situação: caçar, cozinhar, acumular água, se limpar, acampar, etc. A escolaridade da jovem vem dele. Will, descobrimos logo no início, é um veterano de guerra e em raras incursões à cidade com a filha, ele vai ao hospital buscar os remédios que seu seguro de saúde lhe receita e os vende no mercado negro, usando o dinheiro para comprar mantimentos.

Após nos sentirmos relativamente seguros de como as coisas funcionam para esses dois, o roteiro nos apresenta o conflito do filme: num momento de descuido, Tom é vista por um homem fazendo cooper. Logo aparecem guardas florestais com cães farejadores para o que eles imaginam ser um resgate, mas na verdade é um choque para duas pessoas que querem viver longe de tudo. Apesar de não serem criminosos, Will e Tom não podem viver dessa maneira, pelo menos se quiserem continuar juntos, já que ela é menor de idade e precisa ir para a escola e ter um lar estável.

Vale lembrar que Debra Granik é diretora de “Inverno da Alma”, filme que lançou Jennifer Lawrence no cinema e ocasionou sua primeira indicação ao Oscar. Se naquele filme o segundo papel era do ator veterano John Hawkes, aqui Granik repete a estratégia. Thomasin McKenzie é uma adolescente-revelação e Ben Foster um ator veterano. Os dois filmes tem como centro emocional a relação entre estes personagens. Neste mais recente a trama é bem simples, por isso depende ainda mais de sólidas atuações.

“Leave No Trace” é um filme de procedimentos. No primeiro ato, o procedimento de como se funciona uma vida na floresta, e o segundo ato aquele sobre como o sistema de auxílio à famílias americano resolve questões de tutela. Não existem vilões nesta história, exceto talvez a convenção societal que não permite que Will e Tom vivam da maneira como queiram. Mesmo assim, não tem um só agente governamental que personifique esta “maldade” institucional.

Filmes como “Capitão Fantástico” ou até mesmo “Rambo”, que cobrem o mesmo tipo de proposta, preferem discursar, como personagens arquetipais com visões de mundo reduzidas à vilania. Debra Granik, quer algo mais realista, sempre. Seus filmes focam em pessoas que vivem à margem da sociedade e assim desenvolvem seus próprios sistemas de ordem.

Avaliação: Bom (3 estrelas)

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comEntretenimento

Você quer ficar por dentro das notícias de entretenimento mais importantes e receber notificações em tempo real?