Cannes: Jeunes Mères, de Jean-Pierre e Luc Dardenne

Não será desta vez que alguém ganhará a 3a Palma de Ouro da carreira

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Jeunes Meres
1 de 1 Jeunes Meres - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne já venceram a cobiçada Palma de Ouro por duas vezes, e por isso tem passagem vitalícia na disputa. É uma pena, pois este lugar seguro parece ter transformado o cinema deles em algo sem audácia, tanto estética quanto narrativa. O estilo docu-drama de filmar, um elenco formado por atores e não-atores… o que antes era inovador virou uma linguagem fixada, e por isso imutável. Seria injusto dizer que Jeunes Mères é um filme ruim, mas, nas mãos deles, não deixa de ser meramente protocolar.

A nova narrativa de estética documental acompanha as moradoras de um abrigo para jovens mães, em diferentes estágios de gestação ou pós-parto. Meninas sem meios de se sustentarem ou sem apoio de parceiros ou familiares, suas vidas problemas de peso como abandono, abuso de drogas ou abuso físico. Dentro do abrigo, mulheres mais velhas servem como acolhimento psicológico e treinamento para cuidados no novo papel de vida. Apesar de ser uma estrutura para uso no desespero, a limpeza e organização da instituição social seria de deixar qualquer brasileiro boquiaberto.

O foco em atuações vindas de pessoas desconhecidas de grande público é o que o filme tem de melhor. É difícil distinguir se estamos vendo pessoas reais ou personagens. A variedade entre estas personagens também refletirá nos olhos de cada espectador, caso cada um queira refletir sobre qual jovem mãe é mais impactante, qual é a merecedora de mais sorte ou de infortúnio, ou mesmo qual delas merece a dificuldade que vive. O roteiro e a direção não fazem nada disso–é intencional–e talvez seja esta a proposta mais radical da trama.

Ariane (Janaïna Halloy Fokan) tem só quinze anos e quer repassar o bebê que está pra parir para um centro de adoção. Sua mãe, Nathalie (Christelle Cornil), quer o bebê pra ela, e não entende a decisão da filha, que identifica o alcoolismo na família como um mal insuperável. Julia (Elsa Houben) é dependente de drogas, mas as largou quando engravidou. Jessica (Babette Verbeek) passa a gravidez precoce em busca da própria mãe, que a abandonou, e finalmente Perla (Lucie Laruelle) está se iludindo quando pensa que o namorado tem interesse em ficar com ela após o nascimento do bebê.

O coletivo do lar é uma busca por algum aconchego, o suprimento da necessidade dessas mães que não tem ninguém em volta delas para servir de modelo na vida. Praticamente todos os personagens em suas vidas são decepções–presentes, passadas e futuras. Além de apresentar esta realidade, o filme se contém, sem refletir muito sobre os ciclos que se repetem ou a esperança destes em se romperem. Desta maneira, funcionaria mais como documentário, com suas cenas ensolarados e límpidas contrastando com a estética do gênero típico de misery porn.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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