Cannes: “J’ai Perdu Mon Corps”, de Jérémy Clapin

Produção animada teve um grande buzz no Festival.

atualizado 30/01/2020 22:27

Festival de Cannes/Divulgação

A angústia da migração, mesmo que indiretamente, é capaz de separar um jovem de sua mão nesta nova animação francesa. Logo no começo, o jovem Naoufel (Hakim Faris) está desmaiado numa sala de carpintaria, com sangue em seus óculos e uma mão decepada. Logo depois, a mão acorda em um tipo de laboratório, ou mesmo um mortuário. É um momento absurdo, e poético: uma mão decepada, como aquela da Família Addams, observando e se locomovendo pelo ambiente de forma autônoma.

Enquanto a mão começa a explorar a cidade, vemos o que parecem ser flashbacks da vida de Naoufel (não é nenhuma surpresa saber que a mão é dele). De uma família com ascendência no Marrocos, ele tem uma vida idílica com seus pais. Um acidente muda sua circunstância e o jovem perde seu sentido na vida, virando, na adolescência, um entregador de pizza sem sonhos.

Existe um paralelo entre a ruptura de vida que Naoufel sofre enquanto criança e a subsequente perda de sua mão. A possibilidade de uma reconexão, porém, parece ir contra qualquer intuição. Algumas coisas, após ocorridas, não permitem um retorno ao Éden. Existe apenas a possibilidade de começar algo novo, e Naoufel finalmente encontra essa perspectiva quando conhece Gabrielle (Victoire Du Bois) em uma de suas entregas.

Tanto a mão decepada quanto seu dono estão em busca de algo, e a obstinação do órgão, que percorre um caminho incrível e criativo pela cidade, contrasta com o do jovem, que não sabe o que quer, mas procura algo com o qual se encaminhar na vida.

“J’ai Perdu Mon Corps” mistura uma história completamente imaginativa (a da mão, tentando se reconectar com seu dono), com outra que, embora importante em seu reflexo da condição de imigrantes africanos e árabes na Europa, já é de costume.

Se o filme investisse mais na primeira história, teria maior destaque.

Avaliação: Regular (2 estrelas)

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