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Cinema

Cannes: Histoires Pàrallèles, de Asghar Farhadi

As sensibilidades do diretor iraniano não se traduziram bem ao francês.

15/05/2026 10:38, atualizado 05/08/2026 18:16
Divulgação/Festival de Cannes
Cannes: Histoires Pàrallèles, de Asghar Farhadi

O diretor iraniano Asghar Farhadi é um daqueles sempre à beira de conquistar uma Palma de Ouro. Ainda não atingiu o objetivo, apesar de um dos melhores filmes do século, A Separação. Desta maneira, evidentemente, cada participação sua no Festival é carregada de expectativa. Há muito ele vem estendendo suas histórias para além da terra natal, e o filme aqui apresentado tem um pedigree excepcional. Realizado na França, em francês, propõe uma adaptação de um episódio da série polonesa O Decálogo, de Krzysztof Kieślowski. É um dos trabalhos mais elogiados e reverenciados do realizador morto em 1996.

Sylvie (Isabelle Huppert) é uma escritora que mora sozinha em um apartamento amontoado de Paris. Famosa, vive uma existência meio crepuscular, com a expectativa de que seu melhor já ficou pra trás. Só que o faro por boas histórias continua vivo, talvez até inspirador para Adam (Adam Bessa), ex-presidiário que começa a trabalhar como assistente. A indicação veio da sobrinha de Sylvie, que conheceu o jovem de ascendência árabe quando ele impediu um furto no meio da rua. De maneira escondida, Adam começa a querer interferir no novo livro da escritora.

Sylvie tem se inspirado diretamente em personagens que moram no prédio em frente ao seu. Dia após dia, ela bisbilhota, de telescópio, as vidas de Nicolas (Vincent Cassel), Nita (Virginie Efira) e Théo (Pierre Niney). O trio usa o apartamento como um estúdio de áudio, aonde compõe e gravam efeitos sonoros para filmes e programas de televisão. Théo é irmão de Nicolas, que, apesar de casado, mantém um caso com Nita. O que Sylvie imagina para eles é um triângulo amoroso com tensões escondidas, e quando Adam descobre a história, tudo se complica.

É um tabuleiro cheio de peças para um roteirista como Farhadi, expert em compor camadas diversas de complicações, uma acima de outra, num amontoado cujo embaralhamento conduz suas tramas com precisão. O que parece simples é sempre muito mais do que isso em seus filmes, o que, infelizmente, não é o caso em Histoires Paràllèles. Nem a meta-linguagem, entre a história que Sylvie escreve e a que, de fato acontece, resulta em muita coisa.

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Uma das coisas que tramas complexas requerem é a sensação de que as escolhas de seus personagens façam sentido, nem que levem ao arrependimento (a maioria precisa ter conflito, na verdade). Assim, nada de plausível acontece no tabuleiro de Farhadi; seus problemas estão no roteiro. O próprio Adam, que seria a linha de condução de ambas as histórias, com seu trabalho no apartamento da escritora e suas tentativas de interferir com os técnicos de som, pede alguma metáfora sobre a suposta crise de imigração da Europa, mas não funciona.

Desta maneira, um remake desta adaptação talvez proponha algo mais interessante, em paralelo.

Avaliação: Ruim (1 estrela)