Cannes: “Gräns”, de Ali Abbasi

O cinema ainda não preparou plateias para um romance como esse.

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Grans
1 de 1 Grans - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Romeu e Julieta, Bogart e Bacall, Tracy e Hepburn… Os casais do cinema são inúmeros. Mas mesmo depois de um século inteiro, ninguém preparou o espectador para um casal tão estranho quanto Tina (Eva Melander) e Vore (Eero Milonoff). Ela é uma agente alfandegaria, que passa o dia assistindo passageiros entrando no país. Seu faro é tão apurado que, caso recebesse uma postagem para Guarulhos, sozinha acabaria com todo o contrabando de brasileiros que viajam à Miami para fazer compras.

Infelizmente, seu talento e sua fisionomia não tem nada de social. Tina vive completamente retraída do mundo, sua face e corpo exteriorizando esse sentimento através de um rosto bruto e deformado e um corpo massudo e peludo. A atriz com certeza passou por um processo diário de aplicação de máscara de latex para dar vida ao personagem. Ela vive com o marido (Jörgen Thorsson), que parece estar com ela menos por amor do que pela conveniência de ter um lar, e de vez em quando ela visita o pai (Sten Ljunggren), cuja velhice ficou complicada por uma deterioração da memória.

Um dia, na alfândega, Tina se depara com Vore, que tem seus mesmos defeitos fisionômicos. Ele a olha faminto, lambe os lábios como se estivesse para devorá-la. A conexão é imediata, e Tina fica tão atordoada que ela nem consegue denunciá-lo pelo contrabando que traz.

Enquanto o relacionamento dos dois se aprofunda, Tina desconfia que Vore sabe mais do que ela sobre seu lugar o mundo. E ela está certa. Ambos tem uma profunda conexão com a natureza e os animais, e o ímpeto ao sexo os leva a atos e rituais surpreendentes. Não vale a pena revelar tudo numa crítica, visto que o filme elicitou reações divertidas da plateia. Assim como filmes de terror merecem ser vistos com um grande número de pessoas, “Gräns” causa a mesma energia, embora não seja nervosismo, mas estranheza e surpresa.

“Gräns” degringola um pouco no final, à medida que vai se movendo cada vez mais longe de um filme sobre um relacionamento a fim de estabelecer uma mitologia que expandiria o universo destes dois personagens. Aqui entra uma questão: os rumos novos do final da história seriam ditados pela tradição folclórica mais conhecida pelas plateias norueguesas?

Avaliação: Bom (3 estrelas)

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