Cannes: “Good Time”, de Josh e Benny Safdie

Robert Pattinson entrega seu melhor trabalho de atuação num thriller pulsante, elétrico e provocante

atualizado

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Festival de Cannes/Divulgação
Good Time
1 de 1 Good Time - Foto: Festival de Cannes/Divulgação

Nova Iorque é a cidade mais retratada no cinema mundial, e como um ícone imagético desde os primordios, suas transformações urbanas estão bem documentadas. Desde os anos 90, então, após uma transformação que “limpou” a cidade, até os filmes que se passam no submundo compartilham uma fotografia caprichada e poética, uma direção de arte clara e uma percepção sanitária. Filmes de hoje, que se passam nos anos 70, como “Wonderstruck”, deste mesmo Festival não conseguem atingir a realidade que era, contendo uma certa beleza nostálgica. “Good Time” não se passa nos anos 70, mas é o mais próximo que o cinema atual chegou desta época tão marcante.

O filme, que acontece em uma única noite, mostra as peripécias de Connie (Robert Pattinson), um criminoso de baixo nível, para livrar seus irmão Nick (Benny Safdie) da prisão. Nick é deficiente mental, que já começa o filme num hospital psiquiátrico. Connie invade o hospital e arranca ele de lá, pois não quer o irmão classificado como um incompetente. De lá, os dois partem para assaltar um banco, e desta vez, Nick é capturado pela polícia. Tirá-lo da prisão, aonde ele corre risco de vida, será uma tarefa muito mais difícil para Connie.

Pattinson está se reformulando como ator desde que suas obrigações na saga “Crepúsculo” terminaram. Com “Good Time” ele consolida esta trajetória. Desde que abdicou da vontade de ser galã, trabalhou com David Cronenberg, David Michôd, Werner Herzog, Anton Corbijn e James Gray, todos diretores cult. Em alguns, até abriu mão de ser o personagem principal, investindo nos personagens anciliares aonde poderia arriscar mais. Connie é o resultado disso tudo e, não por acaso, sua melhor performance. Também, é um prato cheio.

Connie é um sociopata sem ambições. Está mais preocupado em cometer pequenos delitos para ter seu ganha-pão do que brilhar em um grande golpe. Seus dons, porém, não estão em planejar ou em executar—é de fato, um criminoso completamente inepto—mas o que o filme sugere é que Connie é excelente manipulador. Enquanto “Good Time” tem uma vertente principal que é a câmera, montagem e ação frenética, o filme também tem um subtexto social que incorpora racismo, misoginia e privilégio social. É por isso que ele se eleva além de um sinples filme de gênero.

A trama evoca uma pseudo-fábula típica dos Irmãos Coen quanto à criminalidade, aonde um pequeno ato, que não dá certo, leva a um outro ato ainda maior e pior, que, por sua vez, leva a outro maior e pior, até que aquele pequeno ato de ganância atinja a proporção de uma tragédia grega. A dezena de personagens com quem Connie interage são interpretados por atores desconhecidos, porém excelente, especialmente a jovem Taliah Webster, atriz mirim que interpreta Crystal, pela qual o espectador já sofre por antecipação quando ela se cruza com Connie. Jennifer Jason Leigh, esta sim conhecida, está excelente como a namorada de Connie, que também tem um histórico de sofrimento em suas mãos.

Avaliação: Ótimo (4 estrelas)

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